Se eu desenvolvesse um sistema escolar

E aqui vamos nós, rumo às discussões em torno do último capítulo de Conspiracy of the Rich (A Conspiração dos Ricos, em uma tradução livre) e o assunto não poderia demonstrar-se mais interessante – uma proposta de conteúdos a serem abordados em favor da educação financeira das pessoas.

Antes de mais nada, gostaria de pedir desculpas, pois inicialmente traduzi o título deste capítulo (“If I ran the school system”) como “Se eu fugisse do sistema escolar”. Assim que comecei a ler este capítulo, percebi meu equívoco quanto ao título e objetivo do capítulo, de tal forma que estarei corrigindo essa informação na página do curso / grupo de estudos e deixo aqui tal nota a todos.

Bem, em linhas gerais, este capítulo serve como uma rápida revisão de tudo o que foi discutido no livro, bem como indicações de outras obras do autor onde podemos conseguir mais informações sobre cada assunto. Em minha opinião, um ponto extremamente forte e positivo que conseguimos aqui uma proposta de “grade escolar para a educação financeira” e não somente isso, como eu já estava a pensar qual seria o próximo curso a ser lançado aqui no Clube do Dinheiro, decide por lançar um curso tão completo quanto for possível sobre educação financeira e a ementa proposta por Robert Kiyosaki servirá como alicerce da mesma, juntamente com conceitos apresentados por autores como Harv Eker (outro autor e consultor financeiro que admiro e respeito muito) e Tim Ferris (autor de The Four Hour Work Week, livro que estou quase terminando de ler atualmente).

Este capítulo começa tentando responder à pergunta: “Robert Kiyosaki, se você fosse responsável pela educação de nossos jovens, o que você faria em prol de garantir a todos as ferramentas necessárias para alcançarem o sucesso financeiro?”. Robert, então, aponta uma possível grade escolar com conteúdos importantes a todos aqueles que querem desenvolver sua educação financeira.

Lição #1 – A História do Dinheiro

Kiyosaki faz um breve resumo sobre aquilo que foi visto no capítulo 1, Amor ao dinheiro é a raiz dos males?, a fim de apontar mais uma vez a importância de conhecer a história do dinheiro, sua finalidade e os principais pontos cronológicos que afetaram mundialmente (ou ao menos nos Estados) a forma como o dinheiro pode ser encarado.

Espero ter a oportunidade de fazer a mesma coisa em nosso futuro curso de Educação Financeira, só que focando na história do dinheiro sobre o ponto de vista daqueles que vivem no Brasil, o que acabará por ser muito útil a todos nós brasileiros. 😉

Lição #2 – Compreendendo seu balanço financeiro

O autor volta a enfatizar a importância de cuidarmos bem de nosso balanço financeiro, isto é, dos números que compõem todos os ativos e passivos bem como rendas e despesas que representam como o dinheiro entra e sai em sua vida.

A fim de ajudá-lo, amigo leitor, a manter seu balanço financeiro atualizado mensalmente mais facilmente, acabo de traduzir e gerar duas versões da ficha de balanço financeiro empregada por Robert Kiyosaki em suas obras. Clique nos links abaixo para baixar a que deseja:

Balanço financeiro em DOC

Balanço financeiro em PDF

Lição #3 – A diferença entre ativo e passivo

Bem, agora que já foi comentado a respeito do balanço financeiro, o próximo passo a se trabalhar é a compreensão da diferença entre um ativo, isto é, algo que ao longo do tempo fará entrar mais dinheiro em suas mãos (renda), e um passivo, isto é, algo que ao longo do tempo fará sair mais dinheiro de suas mãos (despesa).

Obviamente, é muito mais importante acumular ativos do que passivos. Segundo Robert, devemos adquirir passivos somente se eles nos auxiliarem a adquirir mais ativos, de forma a pagar as novas despesas contraídas e ainda acumular algum capital (fluxo de caixa positivo).

Lição #4 – A diferença entre ganhos de capital e fluxo de caixa

Continuando nossa seção “entendendo as diferenças”, o próximo passo é discutir e compreender a diferença entre ganhos de capital e fluxo de caixa.

Ganhos de capital acontece devido à valorização daquilo que é comprado no momento da venda do mesmo. Um exemplo seria uma casa comprada que, após alguns meses, seu proprietário decide vendê-la, tendo assim bons ganhos de capital se o valor da casa subiu muito.

Já fluxo de caixa se trata de toda entrada e saída de capital que ocorre periodicamente (mensalmente, por exemplo), proveniente de seus ativos e/ou de sua renda.

Lição #5 – A diferença entre investidor fundamentalista e investidor técnico

A quinta lição de Kiyosaki para um possível curso de educação financeira busca estabelecer as diferenças-chaves entre um investidor fundamentalista, isto é, aquele que baseia-se em dados da empresa, como a transparência em seu gerenciamento, capital em caixa para giro e possibilidades de expansão de mercado, e um investidor técnico, que baseia-se na análise de fatos relacionados às variações das cotações das ações como forma de determinar quais papéis de empresas poderão ser uma melhor opção.

Seguindo a ideia de Kiyosaki de que focar em fluxo de caixa é muito melhor e mais seguro para quem quer alcançar a independência financeira, fica fácil perceber que ser um investidor fundamentalista que vise empresas com boa distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio será melhor do que ser um investidor técnico, já que este se baseia na variação dos valores das ações, informação essa muito mais importante para aqueles que buscam ganhos de capital sobre a compra e venda de ações.

Lição #6 – Medindo a força de um ativo

Como próxima lição, Robert reforça a importância de saber avaliar se um ativo será realmente uma boa opção para nós ou não por meio da avaliação da “força” do mesmo. Segundo o autor, podemos avaliar a força de um ativo ao analisar cada uma das oito componentes do triângulo B-I para aquele ativo.

Já apresentamos aqui o seu triângulo B-I, mas aqui vai mais uma imagem do mesmo a fim de que não esqueçamos dele:

Desta forma, se um dos oito elementos não estiver forte o suficiente, aquele que visa esse ativo deve buscar corrigir tal fraqueza a fim de garantir que estará a conseguir o melhor rendimento posível por meio dele.

Lição #7 – Saiba como escolher boas pessoas [como parceiras em negócios]

A próxima lição trata-se de identificar as características em uma pessoa para um dado negócio a fim de determinar se vale a pena formar-se uma sociedade com a mesma ou não.

Na verdade, essa lição pode ser estendida para entidades e empresas também. O autor cita, por exemplo, as razões pelas quais ele não consideraria uma parceria com um fundo mútuo (isto é, as razões pelas quais não aplicaria seu dinheiro em um fundo mútuo).

Lição #8 – Saiba qual ativo é melhor para você

Progredindo para a oitava lição, agora que já sabemos avaliar a força de um ativo e identificar bons parceiros, está na hora de saber se aquele ativo é realmente uma boa escolha para nós.

Não adianta investir em algo que não lhe interesse, você precisa investir em algo que desperte sua atenção, que o faça ter vontade de aprender mais e mais sobre aquele ativo a fim de ser sempre o melhor possível nele.

Robert, por exemplo, investe muito em “Real Estate” (mercado  imobiliário) por gostar de tal tipo de oportunidade. Isso o leva a querer aprender mais e mais sobre o mesmo, tornando-o assim sempre um investidor melhor do que fora antes.

Lição #9 – Saiba quando focar e quando diversificar

O conceito de diversificar como forma de proteger o capital investido infelizmente vem sendo aplicado de forma negligente, por duas razões:

  • Se você conhece realmente aquilo em que está investindo, o risco será mínimo para você, sendo assim menos importante a opção de diversificar como forma de proteger o capital;
  • Se você diversifica investindo em vários ativos do mesmo grupo (negócios, mercado imobiliário, investimentos bancários ou commodities), então você não estará realmente diversificando, pois um problema que recaia sobre todo aquele grupo de ativos irá afetar todo o seu capital aplicado. Isso acontece, por exemplo, com quem investe seu dinheiro em vários fundos mútuos ou em vários investimentos bancários diferentes.

Sendo assim, o autor propõe que o indivíduo deve focar-se em um único tipo de ativo de um grupo de investimentos até que o domine completamente, quando deveria então procurar outro tipo de ativo de outro grupo (obviamente, sempre buscando escolher o mais interessante) a fim de diversificar sem afetar o foco aplicado no grupo anterior.

Lição #10 – Minimize riscos [aplicando corretamente os conceitos discutidos)

Sabemos que é impossível conseguir altos rendimentos sem encarar altos riscos, mas isso não significa que não haja meios para minimizar tais riscos. Uma boa educação financeira e domínio do conhecimento acerca do tipo de ativo selecionado pode ajudá-lo a minimizar os riscos envolvidos.

Por exemplo, se as ações de uma determinada empresa estão crescendo exageradamente e muitas pessoas estão a comprar seus papéis, uma boa educação financeira e domínio do conhecimento sobre o mercado acionário pode levá-lo a compreender que as mesmas estão supervalorizadas e, uma vez que a “poeira abaixe”, seus preços despencarão e aqueles que compraram em tal momento perderão muito dinheiro.

Da mesma forma, se você decide investir em algum tipo de negócio, conhecer bem a missão social bem como a audiência esperada para aquele empreendimento pode ajudá-lo a compreender se esta é realmente uma boa oportunidade ou um fiasco.

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Na verdade, este capítulo não traz somente dez lições, mas sim quinze lições ao todo, mas este artigo já está ficando demasiadamente longo e, se discutirmos aqui a respeito de todas as lições, estragaremos um pouco da surpresa e do “sentimento de descoberta” que alguns podem ter lendo o mesmo.

Além disso, falamos bem superficialmente sobre cada lição aqui, cobrindo somente os pontos-chave – este capítulo possui cerca de 28 páginas, ou seja, é bastante extenso para conseguirmos cobrir com profundidade em um único artigo. E, para completar, pretendo lançar em breve um curso de Educação Financeira aqui, onde  abordarei um pouco mais do que este capítulo nos oferece, o que significa que é melhor interrompermos por aqui e cubramos o conteúdo de uma forma mais aprofundada em uma nova oportunidade.

Inicialmente planejei estudar e discutir aqui também os capítulos e artigos extra que esta obra traz, mas pensando melhor, isso pode tirar um pouco do brilho de ler o livro, já que os extras são muito interessantes e referem-se a histórias e casos de sucesso.

Sendo assim, encerramos por aqui nossos estudos sobre A Conspiração dos Ricos e esperamos em outra oportunidade trazer novos estudos sobre obras importantes (já comprei na Amazon e já chegou em minha casa o livro “Sales Dogs”, de um dos parceiros de Robert Kiyosaki, então vocês podem esperar novidades em breve… 😉 ).

Este artigo faz parte de uma série de artigos que compõe o minicurso Estudando a Conspiração dos Ricos]

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2 comments

  1. Pamela says:

    Amei o artigo e amei o site também , sempre estarei visitando , me ajudou muito , obrigada 🙂

  2. Brizzard Wolfang says:

    Olá!

    Muito obrigado por divulgar essas informações tão úteis, cara! Descobri esse site há uns quatro dias e já sou um leitor fanático, li bastante e pretendo ler mais, é estimulante IHEAOIHEOHAEH

    Assim como você o fez, eu pretendo fazer ciência da computação, talvez até trabalhar em desenvolvimento de jogos (esse sempre foi o meu sonho =D). Estou no início da lista de espera da unesp/bauru em bcc.

    Sucesso nos seus projetos e empreendimentos, cara.

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