Renda fixa ou variável? Pré ou pós? Conhecendo melhor o mercado

Aqui estamos nós em nosso segundo passo para nos tornarmos grandes investidores (ou, melhor dizendo, para termos toda a base necessária para começar, pois a experiência prática é que nos tornará grandes investidores). Hoje devemos estudar um pouco mais os tipos de renda disponíveis no mercado. Afinal de contas, na hora de escolher o tipo de investimento, teremos que escolher: renda fixa ou variável? Pré ou pós? Vamos lá?

Mas… O que é renda?

Renda ou rendimento é, para fins práticos, toda quantidade em dinheiro que você consegue obter por meio de alguma atividade ou aplicação. É por isso que o seu salário constitui renda, o que você ganha com fundos de investimento também constitui renda, etc. No Brasil, os rendimentos da poupança não são tributados pelo imposto de renda de pessoa física, mas ela não deixa de representar um rendimento, correto?

Se você quer ganhar dinheiro você está me dizendo que você quer aumentar a sua renda bem como seu patrimônio líquido (e, claro, reduzir os gastos ajuda e bastante para alcançar sua meta). T. Harv Eker em Os Segredos da Mente Milionária aponta que há dois tipos de rendimento: ativo e passivo.

Rendimento ativo é aquele que você consegue por meio de seu trabalho, isto é, proveniente de seu suor.

Rendimento passivo é aquele que você consegue a partir de boas aplicações que você faz do seu dinheiro, a partir de investimentos. É o rendimento em cima daquilo que já é seu rendimento.

E se você quer tornar-se rico, se você quer realmente ganhar dinheiro, se você quer conquistar a sua independência financeira, não pode depender somente da renda ativa, pelo contrário, sua renda passiva deve crescer o suficiente para ultrapassar a sua renda ativa e, assim sendo, você poderá manter-se a partir de, somente, a sua renda passiva, o rendimento sobre seu rendimento. Concorda?

Bem, agora que você já sabe da importância do rendimento passivo, vamos falar quais os tipos de renda que podem lhe gerar tal rendimento.

De forma geral, podemos dividi-los em renda fixa e renda variável.

Renda Fixa

Renda Fixa trata-se de toda renda que você já sabe quanto ganhará (valor absoluto e/ou relativo/percentual) por ela.

Por exemplo, se um amigo seu lhe pede R$ 1.000,00 e lhe promete devolver em um ano o valor mais R$ 500,00. Você sabe que, ao final de doze meses (outro fator importante é a periodicidade ou prazo de duração – todo investimento de renda fixa possui duração ou periodicidade para que o rendimento seja contabilizado), você receberá o capital inicial mais o valor de R$ 500,00 reais, isto é, um juro de 50% ao ano. Nada mal, não?

Um exemplo de renda fixa em que não se sabe o valor a ser recebido no final, mas se tem dados para deduzir quanto poderá ser é quando a renda é atrelada a índices que variam com a inflação, como o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M). Neste caso, seu amigo poderia prometer-lhe pagar seu capital corrigido pela inflação mais R$ 350,00.

Bem, no primeiro caso, você já sabe EXATAMENTE quando você vai receber após um ano, isto é, R$ 500,00. É o que chamamos de renda pré-fixada, pois o valor absoluto do rendimento já fora fixado desde o início e já se tem conhecimento do mesmo.

Já o segundo exemplo trata-se de uma renda pós-fixada, isto é, o valor do rendimento fora fixado por meio de índices do mercado, mas só saberemos o valor absoluto do rendimento no dia do vencimento, quando se saberá o quanto variaram as taxas e poderá ser calculado o rendimento.

Qual a diferença entre ambos? Qual é mais vantajoso? Depende, veja só:

No primeiro caso, nós sabemos que seu rendimento será sempre de R$ 500,00. Já no segundo caso, dependerá de qual foi a inflação no período de um ano. Vamos supor que a inflação naquele período fora de 10%. Neste caso, seu capital será corrigido em mais R$ 100,00 e acrescido ao valor de R$ 350,00, isto é, você terá um rendimento total de R$ 450,00. Com certeza, você teria ganhado mais com a primeira opção, a renda pré-fixada, não?

Vamos agora imaginar que a inflação no período de um ano fora de 20%. Agora, a correção do valor será de R$ 200,00 que, somados aos prometidos R$ 350,00, dar-lhe-ão um rendimento de R$ 550,00. Agora, a renda pós-fixada parece uma melhor opção, não?

Como se pode perceber a fim de escolher entre pré e pós-fixado, você deverá levar em consideração os índices de mercado. Se você espera um alto crescimento da inflação, por exemplo, a opção pós-fixada é a melhor. Mas se você acredita que os índices serão baixos, que terão uma queda, a opção pré-fixada é a melhor.

E quais são os riscos nas opções pré-fixada e pós-fixada?

Bem, na opção pré-fixada há o risco de mercado, isto é, dos índices que regem o mercado subirem muito, o que leva a uma certa desvalorização daquilo que você ganhou, já que não é corrigido pelos índices. A opção pós-fixada também possui o risco de mercado, aqui, caso os índices que regem o mercado caiam muito, você terá uma desvalorização do que irá ganhar, já que é corrigido por tais índices.

Um outro risco que há em ambos é o risco de crédito, isto é, de você não receber nem o principal (no exemplo, os R$ 1.000,00 emprestados) nem o juro ou rendimento. Claro, o risco de crédito varia de acordo com o tipo de aplicação do seu dinheiro. Enquanto que empréstimos a pessoas físicas representam um altíssimo risco (afinal de contas, quem lhe garante que seu amigo irá pagar-lhe?), empréstimos a bancos (na forma de certificado de depósito bancário – CDB -, por exemplo) já representam um risco bem menor.

Claro, quanto menor o risco, menor é o rendimento, como já conversamos anteriormente. Seu amigo estava oferecendo-lhe 50% de juros a.a. (ao ano) na opção pré-fixada, o banco pode oferecer-lhe, pelo mesmo período e importância, em uma opção pré-fixada, juros de 10% a.a. A diferença é muito grande, obviamente, mas como foi dito, trata-se da redução de risco – você sabe que as chances do banco não lhe pagar são muito reduzidas.

Há várias opções de renda fixa, como cadernetas de poupança, certificado de depósito bancário, títulos públicos, letras de câmbio, letras hipotecárias, debêntures e fundos de renda fixa. Nós falaremos sobre algumas delas mais à frente, mas caso queira adiantar-se um pouco, pode ler sobre isso na Wikipédia, artigo sobre renda fixa.

Renda Variável

Agora, vamos falar da renda variável. Enquanto que na renda fixa você sabe, de alguma forma, quanto você conseguirá ao final, na renda variável você não saberá o quanto você tem a receber.

Quando exemplificamos a renda fixa, o modelo do “empréstimo” foi excelente para descrevê-lo, pois quando você empresta algo você quer saber quanto irá ganhar.

Na renda variável você geralmente adquire PARTICIPAÇÃO em algum empreendimento. Veja bem, você não está somente emprestando dinheiro à empresa, de certa forma, você está comprando uma parte dela. Sim, é assim que cotas e ações funcionam. E sim, elas são do tipo renda variável. 🙂

Vamos supor que você compra 100 ações a R$ 10,00 cada de uma empresa A, totalizando, assim, um investimento de R$ 1000,00. Vamos supor que esta empresa A emitiu um total de 1000 ações. Então, você é detentor de 10% dela. Parabéns! 🙂

Bem, continuando nosso estudo, você deve estar se perguntando: e como eu irei ganhar com renda variável? Quanto eu ganho por ter comprado ações correspondentes a 10% da empresa A?

Você pode lucrar por meio de participação nos lucros bem como pela valorização de suas empresas.

A participação nos lucros se dá pela distribuição de dividendos. Vamos supor que a empresa A está tendo um excelente período e está lucrando muito. A empresa pode querer retribuir a participação dos acionistas repassando parte dos lucros para eles na forma de dividendos. Os acionistas, grupo em que você está incluído, irão ganhar então algum rendimento por meio desses dividendos.

Claro, a empresa pode também não distribuir dividendos, usando tal capital na aquisição de equipamentos, infra-estrutura, pagamento de dívidas, etc. Isto é, em operações que com certeza farão com que a mesma se valorize. Você pode até estar aborrecido por não ter recebido dividendos, mas anime-se! A empresa está garantindo a sua valorização, e se suas ações são valorizadas, você também estará ganhando dinheiro!

Vamos supor que após dois anos houve uma boa valorização das ações daquela empresa. Vamos supor que, agora, elas valem R$ 20,00. Ora, você as comprou por R$ 10,00, então elas valorizaram 100%! Nada mal, nada mal mesmo! Quanto mais elas valorizarem, melhor para você, pois poderá vendê-las quando for de seu interesse e receberá baseado no novo valor.

Entretanto, cuidado: da mesma forma que elas podem valorizar-se, também podem ser desvalorizadas: se o valor de cada ação cair para R$ 5,00, você terá perdido metade do seu investimento. Claro, elas podem valorizar-se novamente, mas também podem desvalorizar-se ainda mais!

E é esta montanha russa, esse vai-e-vem dos preços, que faz com que alguns ganhem muitos, outros ganhem nada e ainda outros possam perder muito!

Sim, quanto maiores os riscos, maiores as possibilidades de lucros ou prejuízos, então é bom ficar bastante atento quando se escolhe alguma opção de renda variável. Se você comprar cotas/ações de alguma empresa diretamente ou investir em um fundo de investimento de renda variável, é bom ficar bastante atento à situação atual da economia em que aquela empresa está inserida, bem como à situação atual daquela empresa.

Outro dia eu fui ao banco e aproveitei para ver alguns tipos de fundos de investimento. Meu gerente prontamente apresentou-me as opções de renda fixa e de renda variável. Devido à atual fragilidade da economia, quem quiser fazer investimentos em renda variável esperando conseguir rendimento a curto prazo estará arriscando-se desnecessariamente (a não ser que seja um grande expert em mercados e contar com bastante sorte).

Meu objetivo, no caso, era investir e resgatar tudo em um prazo de um ano (tratava-se de investimentos para a aquisição de minha moradia). Com a grande recessão que praticamente o mundo todo está passando, muitos fundos de investimento de empresas grandes, e geralmente boas escolhas em renda variável, obtiveram rendimento de -50%, isto é, quem investiu nelas perdeu metade do valor. Com certeza a longo prazo elas devem recuperar-se, mas a curto prazo, não se pode deduzir muita coisa. Minha opção, então, seriam os fundos de investimento de renda fixa que, apesar de renderem cerca de 9% a.a. somente, não sofreriam com as grandes oscilações do mercado.

Estude bastante as opções e escolha a que melhor se adequa ao seu perfil

Após tanta discussão, espero que você tenha compreendido um pouco mais sobre as opções que você terá na hora de investir. Agora, vou me despedir e aguardar vocês em nosso próximo passo neste minicurso, mas não sem antes deixar-lhes mais um exercício…

Exercício

Agora que você já sabe o que é renda fixa e o que é renda variável, está na hora de você pesquisar um pouco mais sobre os diversos tipos de renda, classificá-los e identificar as vantagens, desvantagens e riscos que há em cada uma delas:

a) Caderneta de poupança;

b) Fundos de investimento de renda fixa e de renda variável;

c) Aplicação em ações/cotas.

Após isso, vamos agora tentar simular quanto podemos conseguir em cada uma dessas opções. Contabilize o quanto você poderá ter para investir em três meses (R$ 1000,00? R$ 5000,00? R$ 10000,00?) e faça uma simulação (pode ser em uma planilha do excel) de quanto você poderá ganhar (leve em consideração o pior caso e o melhor caso) e responda: qual opção lhe parece melhor? Qual lhe oferece menos riscos? Qual você optaria, agora que conhece os riscos?

[Este artigo faz parte de uma série de artigos que compõe o minicurso Manual do Investidor]

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4 comments

  1. Daniel says:

    Muito legal

  2. Erika Silva says:

    Gostei muito do artigo, com uma linguagem simples e esclarecedora e bem objetiva, muiiiiiiiiiiiiiiito bom msm.

  3. marcelo says:

    Olá, admn, muito interessante as informaçoes prestadas no site. Eu sou leiogo no assunto e sempre fiquei interessado em conhecer um pouco desse mundo.
    Sou recém formado em direito, estou começando a advogar, por sorte, recebi de doação um imovél do meu pai, e conseguir vende-lo pelo dobro do preço. Assim comprei outro e estou vendendo tbm, por um preço mais elevado.
    Adm, não tenho renda fixa mensal, mais tenho um dinheiro no valor de 260.000 mil, na conta. estou com duvidas de onde invvestir, o gerente do banco quer que invista em cdb, renda pré fixa. o que vc indicaria meu amigo, se fosse possivél. Obrigado pela ajuda no site, desde já att.

  4. Ana Paula Marinho says:

    Gostei muito do site e sempre estarei estudando;
    o site passa uma mensagem na linguagem mais simples mas com o entendimento de grandes negócios.

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