Educação Financeira – estão vendendo-lhe a “coisa errada”

Tentarei ser breve: há artigos por aí que dizem ensinar-lhe sobre Educação Financeira, mas não fazem isso realmente. E é aí onde mora o perigo, afinal de contas você está tentando aprender sobre isso e, de repente, vê em um website especialista no assunto aquele texto e pensa “ótimo, isso pode ser a resposta para os meus problemas!”. Deixe-me explicar mais devagar…

Como costumo fazer, estava lendo alguns textos recentes sobre negócios e finanças pessoais em alguns websites e blogs, quando me deparo com um texto “ensinando” uma forma fantástica, “quase mágica”, para conseguir uma renda extra por meio de investimentos em empresas e imóveis que, então, passariam a pagar todas as suas despesas – e ainda fariam sobrar algum dinheiro no seu bolso! Para não expor o website em que isso foi visto nem o autor do texto, vou chamar essa técnica de “Zig Zag Zum”. Para mostrar como isso funciona, o texto apresenta dois cenários:

Cenário A – Sem a técnica Zig Zag Zum

Primeiro, o texto aponta como seria o calendário de despesas de uma família comum, apresentando gastos com financiamento imobiliário, financiamento de um carro e escola – em valores um pouco altos (entre R$ 4.000,00 e R$ 8.000,00 no total), mas infelizmente dentro do que se pode encontrar em nossa realidade.

Cenário B – Aplicando a técnica Zig Zag Zum

A seguir, aponta que a mesma família poderia, aplicando a técnica Zig Zag Zum, obter rendimentos (por meio de dividendos e retornos de outras aplicações financeiras) capazes de arcar com todas aquelas despesas. Sim, buscando-se alternativas para se obter um rendimento extra, elas pagariam sozinhas aquelas despesas caras, o que faria com que mais de seu salário sobrasse no final do mês. Incrível, não?

Mas… está tudo errado!

Sinto muito, mas vou ter que ser o “do contra”. Veja só:

  1. A estratégia é toda baseada em investimentos financeiros e sabemos que não há opções de baixo risco que rendam acima das taxas de certos tipos de financiamentos ou dívidas, por exemplo, no caso de financiamento de carros. Se você pode investir algum dinheiro e está financiando um carro, é muito mais conveniente e seguro “apertar mais o cinto” (isto é, reduzir os gastos) e pagar mais de uma prestação do carro todo mês. Fazendo isso, você quitará o veículo muito mais rápido, em vez de continuar mantendo uma dívida de juros elevados quando comparados aos juros que você obterá de seu investimento;
  2. A técnica aponta o rendimento por meio de dividendos como uma das formas que entrará dinheiro para pagar suas contas mensais. Só esqueceu de dizer que dividendos são pagos semestralmente (às vezes, em uma única parcela no ano). Deve ser fácil, então, por meio de aquisição de ações de várias empreas alcançar valor suficiente para que seus dividendos supram suas necessidades mensais, principalmente considerando-se que o pagamento destes é semestral, não? Supondo que a taxa de rendimento mensal média que você obtém por meio de seus dividendos corresponda a 1% a.m. e você possua R$ 4.000,00 de despesas, você precisa alcançar “somente” a quantia de R$ 400.000,00 em ações. Sim, é claro que é possível, com o tempo e disciplina, alcançar aquela quantia ou até mesmo maior (e recomendo muito isso!), porém da forma que o texto explicita, dá a impressão de que será de forma rápida e sem esforço;
  3. O texto não aborda a necessidade de reduzir gastos. Ele não fala sobre estratégias para acumular e aplicar os valores necessários. Na verdade, o texto termina com um link para outra página onde poderá, a partir de seu e-mail, receber um e-book com a tal estratégia. Em outras palavras, não se trata de um texto educativo: ele foi construído por quem realmente entende o comportamento de seu público-alvo (pessoas que querem ganhar mais sem ter que se esforçar gastando menos), usa a linguagem certa para seu público (não menciona ter que reduzir gastos, quanto tempo levará para alcançar a quantidade necessária para tal nível de liberdade financeira etc.) e, de forma disfarçada, prepara o “gatilho” para mais tarde tentar vender-lhe seu produto. Sim, o texto termina sem ensinar-lhe nada, prometendo ensinar por meio do e-book, mas já sei “como acaba esse filme”…

Qual o problema?

Tudo bem tentar vender produtos ou serviços, não há nada de errado com isso. Só o que não considero certo é fazer isso por meio de um “texto informativo” que na verdade somente estará iludindo o leitor, fingindo que vai ensinar algo, mas está somente preparando o anzol e a isca.

Fala que vai ensinar algo sobre Educação Financeira, mas não ensina nada. Se você aprender como aliviar suas despesas financeiras, sinta-se à vontade para ler nossos artigos e cursos (você aprenderá muito e encontrará boas dicas para economizar e investir). Pode deixar um comentário descrevendo sua situação e tentarei ajudá-lo. E, se quiser dar um passo além, pode adquirir o e-book do professor Elisson Andrade (As 5 Etapas do Planejamento Financeiro), que apresenta um texto fácil de compreender e de pôr em prática por qualquer pessoa. Só o que não concordo é com isso de “vender” o texto como se fosse educativo, mas na verdade não passa de uma carta de vendas bem bolada e gritando resultados muito além daqueles que serão obtidos pela maioria das pessoas.

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