Como sair do vermelho? Dúvidas e respostas – parte 3

Como vocês já sabem, a pilha de comentários pendentes está sempre grande (que bom, significa que vocês gostam de nosso trabalho e querem participar de nossas discussões 🙂 ) e geralmente priorizo os comentários que estão esperando há mais tempo, mas vez ou outra vejo um comentário que precisa de uma resposta mais urgente (seja devido à dimensão do problema do autor, à importância do tema ou ao tom um tanto quanto agressivo ou sarcástico do mesmo).

Pois bem, diria que o que me motiva a escrever agora é um comentário com um tom um tanto quanto agressivo deixado no artigo Como sair do vermelho e ainda ganhar dinheiro?, que é um dos artigos mais discutidos aqui (este já é o terceiro artigo em resposta a comentários do mesmo!), mas não vamos ficar enrolando, vamos logo responder aos nossos amigos, não é mesmo?

Sérios problemas financeiros na empresa

Nosso amigo Sílvio escreveu um comentário um pouco extenso de tal forma que vou tentar resumir o seu problema aqui. O mesmo é dono de uma empresa e encontra-se com a mesma endividada, devido à crise. As dívidas bancárias, que estão sendo pagas parceladamente, somam mais de R$ 180.000,00, além de outros R$ 16.000,00 devidos a fornecedores, cartões de crédito pessoais, etc. No momento, ele está precisando fazer cortes drásticos em seu orçamento pessoal e empresarial a fim de regular tudo outra vez.

Sílvio, antes de mais nada, sei que vou dizer algo que você já sabe: o problema foi crescendo e nenhuma providência foi tomada no início. Às vezes, porque pensamos que será passageiro e tudo se resolverá ali, logo na esquina, às vezes porque nem mesmo percebemos ele aparecendo e outras vezes até percebemos, mas já estamos atados de tal forma que não fazemos nada por medo de tornar as coisas piores – mas é justamente aí onde elas pioram!

Em sua atual situação, bancos não irão oferecer ajuda. 🙁 E você está certo: você terá que fazer grandes esforços para conseguir superar essa situação. Há quanto tempo a dívida já está crescendo? Quais medidas já conseguiu tomar até agora e quais foram os resultados?

Você mantém um balanço financeiro de todas as operações juntamente com projeções mensais? Se sim, quais as expectativas? É possível enviar-me uma cópia para análise?

Preciso saber mais sobre sua empresa, ramo em que atua e condição em que tudo se encontra (seu comentário é de três meses atrás, tenho certeza de que o quadro não é mais o mesmo!). Você segue um plano de negócios? Se sim, é possível que me envie uma cópia tal que eu possa analisar os dados do mesmo?

É impossível tomar alguma decisão sem mais dados detalhados sobre toda a situação, por favor, envie-me um email e vamos tentar conversar por telefone (envie-me um email com dados suficientes sobre toda a situação e operação da empresa e vamos conversar mais, ok?).

Fácil falar!

O comentário a seguir é de noss amiga Ludimila:

É muito fácil quando se fala de cortar gastos, quero ver pagar dívidas se cortando todos os gastos fúteis e ainda nao ter solução??? Estou devendo muito, a banco, agiotas, lojas…perdi 50% do meu salário há 2 anos e afundei em dívidas e mais dívidas…não consigo sair dessa…parece que tudo que faço para tentar solucionar o problema gera mais dívida… Gostaria que o senhor do dinheiro resolvesse todos os meus problemas financeiros…

Ok, Ludimila, é pra já, só um minutinho… ABRACADABRA!

Agora, falando sério. Por mais indignada que a senhora esteja a respeito de nossos pensamentos sobre como sair do vermelho, ou mesmo pense que não há saída para o seu problema, gostaria de lembrar-lhe que nenhum problema (ao menos quando o assunto é dívida) nasce já “grande”, do nada. Tudo tem uma origem e geralmente somos nós mesmos os responsáveis, por mais que não queiramos admitir.

Não, não posso resolver todos os seus problemas financeiros: no momento, estou bastante ocupado resolvendo os meus. Preciso alavancar dinheiro para desenvolver meus negócios e a venda do apartamento ainda não saiu e todo o meu dinheiro está no momento ali, então eu preciso repensar minhas finanças e resolver isso. E acredito que já dá trabalho suficiente quando cadaqual tenta resolver seus próprios problemas, então o máximo que posso fazer é o que faço aqui sempre: aconselhar.

Quando o assunto é dinheiro, incrível que enquanto as coisas estão no “ponto morto”, isto é, “não estamos economizando para o futuro, mas as dívidas não crescem tanto”, é comum não tomarmos alguma atitude. Geralmente, esperamos que as coisas fiquem realmente feias.

Sabe, o que você me disse me lembra bastante o que meu pai repetiu durante toda a minha infância (e adolescência, e um pedaço da fase adulta, enquanto ainda morava na casa dos meus pais). A vida inteira ele esteve sempre endividado, mas nós nunca soubemos com o que – as contas em casa não eram bem pequenas, mas não eram tão grandes a ponto de endividá-lo todo o tempo como acontecia.

Meu pai nunca quis aceitar ajuda de terceiros quando o assunto era dinheiro (e parte do dinheiro dele era gasta de maneira misteriosa – e até hoje não desconhecemos a natureza). No tempo em que me conheço por gente, ele sacou e gastou todo o seu FGTS e vários bônus que a empresa em que ele trabalhava (a Petrobrás) concedera aos seus empregados. Enquanto alguns de seus amigos construíram uma vida bastante invejável com tudo aquilo, a vida de meus pais não avançou muito – ao menos não financeiramente.

Pois bem, agora vou listar uma série de atitudes que ele tomava e que sempre lhe trouxe prejuízos:

  • Jamais ter um mínimo de controle sobre o quanto ganhava e gastava – ele somente fazia contas quando já estava atolado em dívidas, para saber quanto deveria pegar emprestado para cobrir um empréstimo!
  • Buscar um empréstimo para cobrir outro, muitas vezes com juros ainda maiores;
  • Ao buscar um empréstimo para cobrir outro, muitas vezes ele pegava mais dinheiro do que precisava a fim de “não ficar sem dinheiro algum” e gastava esse dinheiro com coisas supérfluas;
  • Jamais se interessou por aprender como melhor aplicar qualquer dinheiro que lhe sobrasse, pelo contrário, ele sempre gastou todo dinheiro que lhe chegava às mãos tão rápido quanto podia;
  • Mesmo sabendo que não poderia pagar por algo, se possuía cartão de crédito, comprava;
  • Acumulou dívidas em vários bancos, agiotas e lojas.

Ludimila, faça uma rápida reflexão: quais desses pontos lembra-lhe alguma passagem de sua vida? Será que, com o seu erro, você aprendeu? Bem, vou lhe responder: não. Quando alguém percebe um erro e aprende, sabe procurar ajuda de forma mais humilde, não precisa debochar daquilo que outras pessoas tentam ensinar, só porque acham que não serve para elas.

Acredito que você não leu, mas em meu artigo Quando e por que eu decidi ganhar dinheiro eu conto um bocado sobre minha vida e um dos fatos a observar é que já mantive três empregos ao mesmo tempo a fim de acumular o máximo de capital possível, que foi usado para pagar um apartamento que adquiri mais tarde. Mantive três empregos por cerca de um ano e meio! E se consegui? Consegui! Então, por que não pensa no mesmo? Se 50% de seu salário já está comprometido, procura algum tipo de renda extra em que possa trabalhar e assim reduzir suas dívidas!

Pronto, e aqui neste ponto vou falar novamente sobre erros, desta vez, erros que mais vejo pessoas cometerem ao procurar uma segunda renda:

  • Só quero ou procuro trabalhos/empregos em minha área – dinheiro é dinheiro, não importa se trabalhando como médico ou açougueiro, se deseja quitar logo suas dívidas, procure algo que possa fazer e faça;
  • Só trabalho se for para ganhar por hora igual ou mais que o meu emprego – quando eu tive três empregos, em cada um deles os valores pagos eram diferentes. Fiquei com os três enquanto me foi conveniente;
  • Não quero trabalhos difíceis, pesados ou não estou disposto a aprender – geralmente, oportunidades de renda extra exigem muito esforço físico ou habilidades para aprender e executar bem rápido. Mais uma vez, não imponha empecilhos aos tipos de trabalhos que pode executar, principalmente se está precisando realmente do dinheiro!

Bem, este era para ser um artigo pequenos, mas já me empolguei e ele está bem grandinho, então, para finalizar, Ludimila, antes de desmerecer os princípios que cultivo neste blog, tenha certeza de que já pôs realmente todos eles em prática – por preguiça, inexperiência ou má vontade, geralmente as pessoas executam somente 20% do que é recomendado.

E então, pessoal, novas dúvidas sobre como sair do vermelho?

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3 comments

  1. Artur Guitelar says:

    Bem interessantes seus esclarecimentos Chris.
    Interessante como parece até que as coisas se atraem.
    Acabo de ler Pai Rico Pai Pobre, que ganhei de minha noiva. Um dos principais princípios que é passado neste livro é o “pague-se a si mesmo antes de pagar aos outros”. Um princípio simples e interessante que pode tirar muita gente da lama 😉

    Abs.

  2. admin says:

    Olá Artur, tudo bem?

    Fico feliz que esteja gostando da leitura de Pai Rico, Pai Pobre!

    Este ano para mim será bastante disputado, uma verdadeira corrida contra o tempo, mas ainda não desisti de implantar ainda a minha consultoria virtual sobre negócios online e espero que você seja um dos primeiros a participar conosco, ok? Estou certo de que pode ter um grande proveito disso!

    Um abraço e até breve!

  3. raissa says:

    eu queria ajuda para um trebalho pois queria saber o que é preciso para um pais sair do vermelho/

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