Archive for Finanças

Poupança no Brasil x Poupança no exterior

Você já percebeu que há uma “pequena diferença” entre os valores da rentabilidade acumulada de uma conta-poupança brasileira e uma conta-poupança em outro país, por exemplo, os Estados Unidos? Se ainda não, vamos atiçar agora sua curiosidade…


No Brasil: 8,30% a.a. (rentabilidade anual acumulada de 2016, segundo o website Minhas Economias)


Nos EUA: 1,05% a.a. (rentabilidade anual acumulada oferecida pelo Synchrony Bank, segundo o website Get Rich Slowly)


Percebeu agora? Notaram uma “pequena diferença” de uma para outra? Aparentemente, a caderneta de poupança brasileira é um melhor investimento do que as equivalentes americanas (vários outros bancos norte-americanos oferecem taxas muito próximas ou menores àquela apresentada), mas olhando tais dados assim, sem levar em consideração a inflação do período, pode não ser uma boa ideia… que tal olharmos então, de perto, qual foi a inflação acumulada em ambos os países?


No Brasil: 6,29% (IPCA acumulado em 2016, segundo website Valor Econômico)


Nos EUA: 2,08% (IPC dezembro 2016, segundo website Global Rates)


Agora as coisas começam a ficar mais interessantes: percebemos que a inflação brasileira cresce num ritmo bem maior que a inflação estadunidense – e olha que nossa inflação já atingiu patamares na casa de dois dígitos no acumulado de 12 meses, isto é, já chegou a ultrapassar os 10%! – mesmo assim, quando comparamos ambas as taxas, percebemos que ainda a caderneta brasileira é mais vantajosa, pois mesmo não sendo a melhor opção para investir consegue ao menos superar a inflação, enquanto a opção americana ficou abaixo da inflação.


Em outras palavras, após deixar seu dinheiro rendendo por doze meses, o brasileiro conseguiria retirar um valor (bem) pouca coisa superior ao valor depositado inicialmente, enquanto que nosso amigo americano teria uma pequena perda do valor investido… Estranho, não?


Mas antes que comemoremos, precisamos levar em consideração a variação cambial entre as duas moedas desses países, isto é, a variação do dólar frente ao real. E ao contrário da minha expectativa, durante o ano de 2016 o dólar caiu 19,4% (segundo o website UOL Economia). Interessante essa forte queda durante 2016, principalmente se levarmos em conta que a economia brasileira encontrou-se em crise durante aquele ano.


Assim sendo, devido à baixa inflação e forte valorização que a moeda americana geralmente assume, apesar de seu percentual ser inferior acaba por ser um investimento mais atraente que outras cadernetas de poupança – eu já havia realizado essa análise anteriormente e tinha sido favorável para os bancos americanos – entretanto 2016 somou também um período de forte instabilidade para o dólar, o que tornou as savings accounts (como chamam as contas de poupança por lá) nada atraentes, mas isso não quer dizer que é sempre ruim! Eu mesmo já consegui resultados terrivelmente péssimos em uma previdência privada – motivo pelo qual não mais a tenho!


Outro ponto importante é que comparamos somente as contas-poupança. Uma análise melhor poderia levar em consideração outras opções de investimento em renda fixa, como o nosso Tesouro Direto e a correspondente Treasure Bound. Aqui, vou transcrever um trecho de um artigo apresentado pela revista eletrônica Exame do ano passado, comparando o desempenho de ambas:


Ou seja, aqui, um título como o “feijão-com-arroz” Tesouro Selic rende seus 14,25% ao ano (menos taxas e IR), enquanto o igualmente popular Treasury Bond americano de dez anos está dando um retorno, em números redondos, de 2% ao ano.


Em outras palavras: em países em desenvolvimento como o nosso, apesar de enfrentarmos por vezes alta inflação e desvalorização de nossa moeda (que torna os produtos importados mais caros), as opções para investimento em renda fixa conseguem um retorno melhor do que aquelas presentes em alguns dos países já desenvolvidos. Provavelmente porque governo e bancos estão dispostos a pagar melhores taxas a fim de captar recursos (lembre-se que o dinheiro da poupança é usado para financiamento de imóvel popular e títulos públicos são vendidos também com o intuito de financiar obras e atividades do governo).


Em outras palavras: se você pode, comece a poupar hoje mesmo seu dinheiro, tão breve quanto for possível comece a comprar títulos e abuse destas opções em renda fixa para construir algum patrimônio. Utilize-se da vantagem que temos, principalmente para fazer reserva para o caso de precisar comprar mais tarde produtos importados que podem variar terrivelmente quanto ao preço – por exemplo, caso precise de um novo computador ou smartphone e os preços de mercado disparem.

Comprar a casa própria é um bom negócio?

Quantas pessoas não têm o sonho de ter sua própria casa? Entre o sonho e a realidade, encontram-se várias centenas de milhares de reais necessários para a aquisição e se você quer mesmo realizar este sonho precisa colocar as contas no papel e responder à pergunta: comprar a casa própria é um bom negócio? Resposta curta: atualmente e do ponto de vista financeiro, não. Bem, mas vamos detalhar para explicar quais são os problemas e como você pode contorná-los.

Comprar casa própria é um bom negócio?

Quando você adquire um imóvel, você precisará investir no mesmo uma grande quantidade de dinheiro que ficará imobilizada, isto é, que você não poderá usar para trabalhar por você em outras coisas. E considerando-se o valor total de uma casa, valor das prestações e o valor da mensalidade de um aluguel, percebe-se que um aluguel pode ser uma solução melhor do ponto de vista financeiro.

Tomemos como exemplo uma casa simples no valor de R$ 150.000,00. A mensalidade do aluguel girará em torno de R$ 500,00, que corresponde a 0,33% do valor, muito abaixo do que esse valor renderia em qualquer opção de investimento em renda fixa. Uma opção que renda, por exemplo, 0,8% a.m. estará gerando cerca de R$ 1.200,00, isto é, pagará o valor do aluguel e ainda sobrará R$ 700,00.

E todos falarão aqui que a casa tende a se valorizar. Sim, mas há custos de manutenção envolvidos na mesma que irão “devorar” uma parte do rendimento. Outra coisa a se considerar é que a valorização só realmente importa se você vendê-la em algum momento futuro e estamos considerando aqui a aquisição de um imóvel com o foco exclusivo na moradia.

MAS há uma boa razão para se adquirir uma casa: conforto, poder usá-la da forma que melhor lhe convier sem se preocupar com o caso do proprietário desejá-la de volta. Por exemplo, se a casa é realmente sua, você pode comprar móveis planejados que ficarão perfeitos nela, aproveitando ao máximo o seu espaço e criando um ambiente incrível para a sua família – mas poucos teriam coragem de fazer isso em uma casa alugada…

Então se você não abre mão do conforto, de ter a sua própria casa, o melhor a fazer é economizar e investir tanto dinheiro quanto puder visando médio ou longo prazo para a aquisição da mesma. Quanto dinheiro? Alguns falam em 20% (que é o mínimo exigido hoje pela Caixa para um financiamento), outros falam em 30% ou até 50%. Eu diria que, se possível, todo o valor, afinal de contas, quanto mais dinheiro você tiver investido mais rapidamente ele crescerá, diferente de quando você mantém um alto montante financiado, em que correrão juros e mais juros ao longo do ano.

Em uma simulação com 20% de entrada e financiando os outros 80% ao longo de 30 anos com juros de 10,5% a.a., quando terminar de pagar todas as prestações nessas você terá gasto o equivalente a quase quatro vezes o valor do imóvel! Porém quanto menor for o valor financiado, menor será o juro acumulado, então se você puder juntar 100% (ou quase) do valor da casa, você gastará bem menos. E o que fazer enquanto isso? Ué, alugue, afinal de contas é uma opção financeiramente mais em conta. Ou more na casa de algum parente, vai que cola?

Como fazer um país inteiro sair do vermelho?

Já falamos várias vezes aqui sobre como sair do vermelho, mas desta vez o artigo muda um pouquinho de figura, uma vez que deixamos a individualidade e partimos para a coletividade, isto é, como fazer um país inteiro sair do vermelho e prosperar.

A ideia de tal artigo não partiu de mim, mas sim da dúvida da leitra Raissa, que no artigo Como sair do vermelho? Dúvidas e respostas – parte 3 escreve o seguinte:

Eu queria ajuda para um trabalho pois queria saber: o que é preciso para um país sair do vermelho?

UPDATE: Este artigo foi publicado originalmente em 21 de março de 2011, mas estamos atualizando gradualmente nossos artigos, assim sendo o mesmo foi acrescido de novas informações e também correções.

Bem, Raissa, antes de mais nada, prazer em conhecê-la!

A sua dúvida é bastante pertinente: preocupamo-nos por diversas vezes sobre como prosperarmos individualmente, mas e quando falamos de uma nação inteira? Será que vale a regra “é só cada um fazer a sua parte” e pronto?

A minha experiência diz-me que não, não adianta a gente esperar que cada qual, individualmente, siga essa regra e pensar que no fim das contas somando todos os esforços teremos um país saindo do vermelho. Em minha opinião, trata-se de um esforço conjunto do governo, sistemas de educação e população.

Vamos falar então um pouco sobre o papel de cada um?

Governo

Comecemos então falando daquele que, infelizmente, parece ser o último onde conseguiremos mudanças realmente significativas. 🙁

Há muitos problemas na estrutura governamental do Brasil, por exemplo, que enquanto não forem solucionados não levarão a uma maior prosperidade do país. Bem, vejamos algumas coisas que contribuem negativamente para isso:

  • Governantes aumentando estupidamente seus próprios salários, causando grandes gastos públicos que poderiam ser empregados na construção de escolas e hospitais, contratação de professores, subsídios a novas empresas (que gerariam mais empregos) etc.
  • Desvios de verba de valores astronômicos. Dinheiro que deveria ser utilizado para gerar uma melhor qualidade de vida e desenvolver novas oportunidades à população sendo furtado por quem deveria administrá-lo!
  • Mau emprego do dinheiro público: enquanto algumas pessoas buscam empréstimos em bancos a juros altos por não conseguirem investimentos públicos facilmente para seu empreendimento, outras (por motivos alheios à nossa compreensão) alcançam financiamentos de valores bem altos!
  • Falta uma postura melhor de nossos governantes para incentivarem o desenvolvimento do conhecimento financeiro e espírito empreendedor da população. Sem tal educação, o Brasil continuará na mesma situação por um bom tempo!

UPDATE: É engraçado perceber que, sete anos após a publicação original deste artigo, continuamos enfrentando os mesmo problemas quanto aos nossos políticos, pois veja só o que temos visto em nossas TVs e jornais ultimamente: descoberta de grandes esquemas sistêmicos de corrupção envolvendo muitos dos grandes nomes de vários partidos políticos; impeachment da presidente Dilma Rousseff, com a ascensão de Michel Temer ao poder que, do ponto de vista do reajuste fiscal necessário, pouco fez; novas mudanças nas regras da previdência social, forçando a população brasileira a praticamente trabalhar por 50 anos para usufruir de no máximo 10 anos de aposentadoria; caos em várias cidades brasileiras que estão atrasando ou até mesmo parcelando o pagamento de seus servidores públicos, levando até mesmo a policiais militares a promoverem uma “paralisação sem greve”. E isso é só para citar algumas coisas!

Então você me pergunta, Raissa, o que é preciso para fazer um país inteiro sair do vermelho, não é? Bem, em primeiro lugar um corte salarial em alguns desses salários que já estão bastante inchados, bem como um corte do número de servidores públicos – há gente demais contratada e pouca gente trabalhando, isso é fato, todos nós sabemos mas sempre fica do mesmo jeito! UPDATE: O então presidente Michel Temer prometeu uma redução de 4 mil cargos comissionados, entretanto há mais de 30 mil em todo o país! Há um espaço muito maior para corte de cargos comissionados, redução e maior fiscalização de certos benefícios oferecidos a políticos e certos cargos públicos etc.

É necessário também o combate ao mau uso da verba pública. Neste ponto, acredito que devemos parabenizar a Polícia Federal que, nos últimos anos, trabalhou eficientemente e desmascarou muitas coisas erradas (governo Lula que o diga, nunca houve um governo no Brasil com tantas CPIs!), mas agora precisamos lutar para que os responsáveis sejam realmente punidos e não somente afastados para, na próxima eleição, voltarem a se candidatar! Quem rouba um comerciante é preso e por que quem rouba uma nação não o é? UPDATE: Parece uma grande ironia do destino estar atualizando este artigo logo após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o indiciamento do ex-presidente Lula em vários processos criminais e, por fim, o Partido dos Trabalhadores (PT) tendo a cara de pau de indicá-lo como candidato a uma possível reeleição, visando esconder a sujeirada e ainda conseguir foro privilegiado ao ex-presidente. A Polícia Federal está de parabéns, mas agora está na hora do Judiciário começar a trabalhar e mostrar que eles também querem um país diferente!

E por fim, após enxugar os salários e quadro de servidores e combater os desvios de verba, está na hora de um novo planejamento, não um planejamento para um ou dois anos, mas um planejamento que deveria ser executado por cinco, dez anos ou mais! Estamos falando se mudar completamente o Brasil, de trazer condições iguais a todas as pessoas, isso não pode ser conseguido da noite para o dia! E é aqui onde começamos a falar sobre educação…

O atual sistema educacional

Li outro dia que a partir de 2012 haverá educação financeira nas escolas públicas. Fiquei super feliz! Mas logo depois pensei: e quem é que vai ministrar essas aulas? Será que temos professores realmente habilitados para tal tarefa? Alguém vai me lembrar de que há cursos de Economia em todo o país, mas não estou falando somente em graduação, estou falando sobre experiência de vida também! UPDATE: Já se passaram vários anos e essa proposta nunca saiu do papel. Algumas escolas particulares até promovem seminários isolados sobre o tema como forma de orientar alunos do fundamental maior e do ensino médio, mas tal ação ainda não acontece de forma sistematizada nas escolas públicas – uma grande lástima…

Não me levem a mal, acredito que temos economistas muito bem formados no Brasil, mas o que nossas crianças precisam não é somente de um economista falando para elas, elas precisam acreditar no que estão ouvindo, elas precisam “ver o exemplo”, o professor precisa realmente ser o exemplo delas! Por que quando Pat Flynn, Darren Rowse, Custódio Fernandes e Paulo Faustino escrevem um artigo eu paro tudo e leio prestando bastante atenção? Porque eles são grandes exemplos para mim, eles fazem aquilo que dizem e fazem isso dar certo, como eu não deveria prestar atenção??? UPDATE: Risquei de minha lista o nome de dois colegas blogueiros em língua portuguesa porque seus antigos blogs que eu seguia foram desativados e hoje percebo muito “mistério e confusão” sobre como é a sua atuação hoje quando o assunto é “ganhar dinheiro na web”.

Agora, peguemos um outro exemplo: toda hora vejo nascer um “super blog” onde o autor diz saber tudo sobre ganhar dinheiro na Internet, mas não precisa mais do que dois minutos para perceber que é mais um desesperado, repetindo o que muitos outros falam em vários outros lugares da Internet. Sinceramente? Não me motivo nem um pouco a lê-los – na verdade, geralmente memorizo o endereço dos blogs deles a fim de evitar passar outra vez por lá!

Obviamente, com escolas públicas adotando educação financeira como parte de sua grade disciplinar, é esperado que as escolas privadas façam o mesmo em seguida. E aí nasce um novo temor: se o conteúdo a ser ministrado em escolas públicas não tiver a mesma qualidade daquele ensinado em escolas privadas, estaremos aumentando ainda mais a distância entre o “pobre” e o “rico”, isto é, o ensino privado oferecendo educação de grande qualidade, enquanto que o ensino público não estaria acompanhando.

Bem, o “segredo” para resolver isso pode estar numa completa repaginação dos sistemas de ensino público, pois não adianta oferecer educação financeira se as demais disciplinas também não são bem ensinadas.

Então, Raissa, do ponto de vista educacional, é necessária uma completa reforma do ensino público hoje a fim de oferecer educação de qualidade e aí sim, dentro deste novo contexto, inserir educação financeira e empreendedorismo como conteúdos essenciais nas escolas públicas e privadas!

Além disso, é necessário garantir que os profissionais que estarão à frente nesse processo educacional são realmente competentes e adotar um novo método de avaliação, ao menos para a(s) disciplina(s) de educação financeira e empreendedorismo. Talvez cada aluno devesse apresentar um projeto para um empreendimento ou planejamento para investimentos ao final do ensino fundamental e apresentar o mesmo implementado, em funcionamento e lucrando com o mesmo ao final do ensino médio? Achou isso um absurdo? Pense mais um pouco, leia Pai Rico Pai Pobre e Os Segredos da Mente Milionária e volte aqui para me dizer o que acha então, ok? 😉

UPDATE: Apontando mais uma vez alguma das mudanças propostas pelo atual governo, foi aprovada uma PEC que altera o ensino médio, aumentando consideravelmente sua carga horária, porém fazendo com que somente 60% das disciplinas sejam obrigatórias, dando liberdade aos alunos para escolherem os outros 40%, num sistema mais parecido com o presente nas escolas estadunidenses. Se veremos educação financeira e empreendedorismo nessa nova proposta e realmente em ação, ou se será somente mais um “tiro no pé”, teremos que aguardar até 2020, quando as primeiras turmas do ensino médio deverão seguir 100% dessa nova proposta.

Entretanto, obviamente, não adianta mudar o governo e as escolas e não mudar o maior elemento de todos: a cultura que a nossa população possui.

Nossa cultura

Pare para pensar: de que adianta o seu filho ir até a escola, aprender mil coisas sobre finanças, investimentos, marketing e empreendedorismo e, ao chegar em casa, perceber que sua família ignora tudo isso? Pior, ouvirem os pais desdenharem em sua frente de tudo aquilo que ele está aprendendo (sim, já ouvi sobre casos desse tipo acontecendo)? Você acha que seu filho se sentirá realmente motivado a aprender?

O Brasil precisa de uma cultura menos operária e muito mais empreendedora! Até a nossa televisão reflete isso: nos canais abertos, para cada uma hora de conteúdo focado em finanças, investimentos ou empreendimentos, temos 50 horas ou mais de programação do tipo: novela, reality shows, programas de palco que falam sobre a própria programação da TV etc. É com essa cultura que vamos crescer e prosperar?

Certo, você ainda não está convicto do que estou falando, não é? Vou dar mais um exemplo: conheço pessoas (não é, meus tios?) que gastam muito dinheiro com bebidas e outras coisas, mas que não lembram quando foi a última vez que compraram um livro para elas próprias lerem e aprenderem. Gastam com bebidas, baladas, boates, bares, restaurantes, praias, clubes, mas não gastam de forma equivalente com a sua própria educação.

Essas pessoas estão errando duas vezes! Primeiro porque estão abandonando a oportunidade de crescerem ainda mais, e não falo somente em termos profissionais, falo também sobre crescimento pessoal mesmo. E em segundo lugar, erram porque, agindo dessa forma, estão dando péssimos exemplos a seus filhos: “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” é em minha opinião a forma de agir mais ridícula, se você quer que seu filho estude e se esforce para conquistar posições melhores você próprio deve ser o exemplo dele.

Meu filho tem dois anos e meio de idade. Sempre que ele encontra uma moeda pela casa, ele já chama a mim ou à mãe dele para que lhe demos o dinheiro e, então, ele possa guardar em sua vaquinha (o cofre dele não é um porco não, é uma vaca mesmo! 🙂 ). Ele faz isso pois desde pequeno ensinamos a ele que aquele era o lugar certo para guardar o dinheiro dele. A partir dos três anos e meio, espero começar a mostrar a ele que esse mesmo dinheiro é que ele usará para comprar coisas de seu interesse, como doces e outras coisas. Em outras palavras, busco acompanhar a educação financeira de meu filho desde já, e olha que ele só tem dois anos e meio! UPDATE: Meu filho agora já tem oito anos completos, ganha uma mesada de R$ 25,00 e geralmente guarda seu dinheiro por um bom tempo para adquirir coleções de bonecos pequenos (ele é apaixonado por coleções de bonecos, principalmente de Dragon Ball!). Além disso, comecei a falar mais sobre conceitos de economia e por que economizar e investir pensando no futuro.

Enfim, Raissa, para resolvermos nosso problema cultural é necessário que a mudança comece em casa, nos nossos lares, expanda-se para os ambientes de trabalho, onde as empresas devem buscar formas de incentivar tais atitudes por parte de seus funcionários, para então chegar a outros círculos sociais.

Em outras palavras, só pedir para cada um fazer aquilo que descrevo em Quero sair das dívidas! – O guia não é suficiente, quando falamos de uma nação inteira, precisamos de algo bem mais organizado e que proporcione mudanças duradouras na cultura brasileira.

E então, Raissa, vamos ajudar a fazer nosso país inteiro sair do vermelho? 😉

UPDATE: Atualizar esse artigo foi um exercício incrível de comparar não somente a situação do país como a minha e de minha família há sete anos atrás e agora. E para você, do que mais gostou?

É melhor comprar mais ou investir?

Olá a cada um dos amigos do Clube do Dinheiro! Quem nos acompanha desde o início já sabe que falamos muito aqui sobre como melhor usar seu dinheiro a fim de fazê-lo render mais ao final do mês – afinal de contas, para alcançar seu objetivo de independência financeira, você precisa de mais do que somente “ganhar mais dinheiro”! E nessas conversas que já tivemos por aqui apontei algumas estratégias que uso em meu dia-a-dia:

  • Compras em atacado;
  • Redução de despesas;
  • Investimentos (de forma conservadora/moderada).

Do meu ponto de vista, cada um desses pontos trouxe incríveis benefícios para mim. E eis que hoje (há poucos minutos atrás, para ser mais preciso), deparei-me com um vídeo de Gustavo Cerbasi no YouTube em que ele aponta que o hábito de estocar produtos em casa pode ser prejudicial do ponto de vista financeiro. Em se tratando de palavras de Gustavo Cerbasi (grande consultor financeiro brasileiro), fiquei bastante curioso para saber se meu hábito poderia estar me prejudicando e decidi assistir por completo. Se desejar assistir, aqui vai o vídeo:

Resumindo: Cerbasi critica o hábito de estocar produtos quando o mesmo pode levar ao uso do crédito no final do mês por falta de dinheiro. Em outras palavras: se você compra mais do que deveria e acaba pagando juros no fim do mês devido a isso, então seu comportamento está sendo prejudicial. Nesse caso, o ideal é comprar uma quantidade menor a fim de ter capital para as contas cotidianas e não precisar usar do crédito.

Após ver o vídeo por completo percebi que meu comportamento não é prejudicial, pelo contrário, é bastante benéfico para as minhas finanças, pois:

  • Programo-me corretamente para comprar bastante, porém sem precisar pagar juros por isso;
  • Compro em maior quantidade aproveitando-me de ofertas em atacadistas ou locais com promoções reais, então reduzo minhas despesas;
  • Além disso, por precisar ir com menor frequência às compras, reduzo gastos com gasolina ou desperdício de tempo indo às compras.

Assim sendo, aquilo que já falamos várias vezes aqui continua mais real do que nunca: se você se planejar corretamente, algo que para outra pessoa poderia ser um risco (no caso, acabar por usar do crédito especial) pode ser uma oportunidade real sob medida para você. Então, se você tem o hábito de comprar em grande quantidade e acaba por pagar juros por isso, é melhor rever o vídeo de Cerbasi e mudar seu comportamento, mas se você segue nossa cartilha, já deve estar vendo bons resultados de seus hábitos financeiros mais saudáveis, não? 😉

Gestão do dinheiro em 2017 não será tão fácil assim

O primeiro mês de 2017 já passou e é bem provável que você nem lembre mais daquelas metas que estabelecera antes do reveillon, não é mesmo? Que bom que o Clube do Dinheiro está aqui, para ajudá-lo a não se esquecer de suas metas quanto à gestão do dinheiro! E já vou dizendo, “de cara”, que infelizmente para muitos cuidar de seu dinheiro em 2017 não será uma tarefa tão simples assim.

Cenário econômico atual

O grande problema é o momento que estamos vivendo, em que o país passa por uma recessão econômica e que, se a mesma perdurar por vários anos mais, irá corroer mais ainda o patrimônio das classes baixa e média. O primeiro “grande assalto” que sofremos foi com a inflação desencadeada durante os últimos anos, e agora, o segundo, acontece devido aos altos índices de desemprego, dificuldades das empresas de se manterem sem o devido capital de giro (quantas pequenas e médias empresas fecharam as portas nos últimos dois anos?) e, consequentemente, dificuldades em crescer nosso patrimônio líquido.

Infelizmente, durante as últimas gestões governamentais, o acesso ao crédito foi facilitado em um nível muito alto e, se por um lado significou financiamento de moradia e veículo próprio para muitas pessoas, por outro essas mesmas pessoas agora vivenciam um momento em que sua renda não é mais compatível com seus gastos, que aumentaram consideravelmente devido à dívida contraída.

Enfim, parece que nos iludimos um pouco, acreditando que tínhamos mais dinheiro em nossos bolsos quando na verdade estávamos firmando acordos para posteriormente pagar valores salgados por isso. E o que vemos hoje? Preços de imóveis à venda congelados, valores dos alugueis imobiliários caindo, restrições nos orçamentos familiares muitas vezes até quanto a compras essenciais e atrasos em mensalidades escolares dos filhos. Se você se identificou com alguma dessas situações, não se preocupe, você não é o único!

Não há “bala de prata”

Lembra-se de quando lia histórias de terror que diziam que somente balas de prata poderiam matar um lobisomem? Pois é, parece que a economia brasileira transformou-se em um lobisomem prestes a nos atacar e, infelizmente, não há bala de prata capaz de detê-la. Claro, estamos nos recuperando, é o que os especialistas prevêem (e assim acredito também), entretanto os estragos sofridos não serão restaurados antes dos próximos cinco anos, já que estamos falando de dezenas de milhares de postos de trabalho que foram encerrados, milhares de linhas de produção congeladas pela falta de demanda e por aí vai.

Então, a primeira coisa que precisamos saber é que não há fórmula mágica para resolver tudo. O brasileiro terá que ser mais uma vez criativo a fim de conseguir superar essa crise e fazer seu patrimônio líquido crescer (aliás, para muita gente, se não houver redução do patrimônio já será um grande avanço).

Dicas para melhor gerir o seu dinheiro

Se você está atento ao seu patrimônio líquido e quer que o mesmo continue crescendo (passo primordial para se alcançar a independência financeira no médio ou longo prazo), aqui vão algumas dicas:

  • Siga a Minha regra dos 10% (reduza 10% dos gastos, aumente 10% dos ganhos, aumente 10% dos investimentos e dedique 10% de seu tempo para aperfeiçoar-se);
  • Elimine dívidas, restrinja o uso do cartão de crédito e corte despesas supérfluas – este é um bom momento para encontrar oportunidades para investir visando aumentar seu patrimônio, mas isso não funcionará direito se seus hábitos financeiros não são muito saudáveis;
  • Assine nossa newsletter e receba nossos e-books gratuitos “Manual do Investidor” e “Como Ficar Rico – dicas, dúvidas e comentários” e/ou dê uma olhadinha em nossa seção de livros recomendados e adquira algum(uns);
  • E acima de tudo, tenha disciplina e paciência. Mudar hábitos e começar a construir seu patrimônio líquido de forma responsável e ascendente pode parecer algo muito entediante nos primeiros meses, mas conforme o tempo passa e os juros compostos trabalham a seu favor, é bem provável que compreenda a importância disso.

Este é um texto simples e direto para mostrar-lhe os desafios que encontrará ao gerir seu dinheiro em 2017. Quais outras dicas você acrescentaria a esta lista? Comente abaixo!