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Papo Reto: Primeiros passos investindo, lenta recuperação da economia brasileira e perspectivas para 2018

Já faz um bom tempo que não publico um “papo reto” aqui, então o papo de hoje vai trazer uma análise bastante extensiva das notícias e artigos que podem impactar o pequeno e médio investidor brasileiro. E apesar de saber da importância do cenário político, não trarei aqui textos referentes a votações de Senado, corrupção e outras coisas mais – já há muito website por aí falando sobre isso o tempo todo, para que mais um, não é mesmo?

Então, falaremos hoje sobre os indicadores econômicos nacionais e a perspectiva para o crescimento do PIB para 2018, risco de rebaixamento da nota do Brasil no S&P, por onde o investidor iniciante deve começar e dicas para tornar sua iniciativa no mundo dos investimentos realmente lucrativa. Está pronto? Então, vamos!

Cenário econômico brasileiro mais ou menos estável

Publicado em: Relatório semanal – Juros Baixos, Meireles: Com reformas, Brasil pode crescer a uma taxa de 4%

Segundo o website JurosBaixos.com.br, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (GPI-DI) está apresentando uma tendência de alta, confirmada pela subida de 0,62% no mês de setembro, como consequência da subida de preços no setor atacadista de itens agrícolas e combustíveis. Apesar disso, acumula deflação de 2,03% no ano e 1,04% nos últimos 12 meses, o que significa que é muito cedo para dizer que teremos altas seguidas da inflação nos próximos meses.

Segundo o IBGE, na comparação de julho e agosto deste ano as vendas do varejo apresentou várias quedas, com destaque para os setores de livros, jornais, revistas e papelaria (-3,1%) e combustíveis e lubrificantes (-2,9%), afetados pelo aumento do preço dos combustíveis e dos preços da celulose no mercado internacional.

Durante o 20º Congresso Brasileiro de Corretores de Seguros, o ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Dyogo Oliveira, apresentou uma projeção para o crescimento da economia brasileira em 2018 de 2,5%. Já a avaliação do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, é muito mais otimista, apontando que a economia brasileira poderá crescer a uma taxa de 4% durante os próximos três anos, caso a reforma da previdência seja aprovada. E aqui nossos pontos de vista são divergentes: o governo realmente precisa “enxugar” a máquina e melhor usar seus recursos a fim de produzir mais e não somente gerar dívidas, mas não vejo a reforma da previdência como sendo a melhor solução, pelo menos não a mais democrática, já que políticos conseguem inúmeros benefícios em termos de auxílio ou até mesmo previdenciários que muito possivelmente não serão afetados por tal reforma, sendo somente o restante da população quem “pagará o pato”.

Standard & Poor’s ameaça rebaixar nota do país caso reforma previdenciária seja adiada

Publicado em: S&P alerta rebaixamento se reforma da Previdência for adiada

E uma notícia não muito boa é que a agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) alertou que poderá rebaixar a nota do Brasil caso mudanças nas regras de aposentadoria e pensão não sejam realizadas em tempo hábil, o que pode pressionar e acelerar a votação bem como influenciar o resultado, já que ela está reforçando o interesse positivo do mercado estrangeiro na aprovação da reforma previdenciária.

Quanto menor for a nota de um país no sistema de classificação da S&P maior a probabilidade de “calote”, aumentando o risco para investidores estrangeiros que passam a exigir juros maiores devido ao risco – o que não é nada saudável para nossos cofres e bolsos, já que quando o governo paga juros maiores significa que dinheiro que poderia ser destinado para outra área (Educação, Transporte, Segurança, Saúde etc.) está sendo usado para mitigar as dívidas.

Começando a investir? Prepare-se melhor e dê seus primeiros passos

Publicado em: Poupança em 2018, Onde investir 5 mil reais?, Os homens mais ricos do mundo e do Brasil e Investir em ações é arriscado?.

O blog da corretora Rico explica por que a poupança não é um bom investimento para 2018. Quanto a isso, não vou entrar em muitos detalhes, já que desde a mudança no cálculo de rentabilização da poupança ela deixou de ser uma boa opção de investimento, tanto quando a taxa Selic está alta quanto (pior) quando está baixa, que é a situação atual.

Agora, uma coisa realmente legal que a corretora Rico escreveu (em outro post) foi quanto a opções para investir 5 mil reais que considero um dos passos iniciais de muitos que começam a investir – seja para comprar uma casa ou trocar o carro, seja para sua aposentadoria. Assim, a depender da duração da aplicação, estas são as sugestões da mesma:

  • Até seis meses – escolha aplicações seguras e evite investimentos mais arriscados. Uma opção são os títulos do Tesouro Direto, como o Tesouro Selic (LFT).
  • De seis a doze meses – continue na renda fixa e não se exponha a riscos. As opções são fundos de renda fixa e novamente Tesouro Selic.
  • De um a dois anos – quanto maior o prazo, melhor poderá ser a rentabilidade da aplicação. Nesse caso, sugerem-se fundos multimercados moderados, fundos de ações moderados e Tesouro IPCA+.
  • Dois anos ou mais – pode-se buscar alternativas mais agressivas (e portanto mais arriscadas), como fundos de ações, fundos multimercados, COE, debêntures, Tesouro Direto (prefixado e IPCA+), CDB, LCI etc.

Eu, sinceramente, considero dois anos muito pouco tempo para uma estratégia envolvendo ações ou fundos de ações, principalmente para quem está começando, mas pode ser interessante do ponto de vista de aprender na prática sobre as oscilações de mercado, não é mesmo?

Já o GuiaInvest publicou uma matéria colocando “em cheque” o pensamento comum que afirma que investir em ações é arriscado e lembra que arriscado é investir em algo sem conhecê-lo, assim sendo, se você educar-se primeiro sobre a bolsa de valores, compra e venda de ações, taxas envolvidas e retornos esperados, poderá montar sua estratégia “matematicamente bem fundamentada” e reduzirá as chances de perda e maximizará as chances de ganho no longo prazo. Você pode aprender outras dicas em nosso artigo Investindo em ações.

Bem, é isso. encerro por aqui nosso papo de hoje e espero não atrasar mais tanto nos próximos. Mas diz aí: qual a sua expectativa para a economia brasileira e qual o seu plano de investimentos para 2017/2018?

Como a máquina econômica funciona


Você alguma vez já se perguntou por que a Economia de um país possui tantos altos e baixos, oras em momento de plena ascensão, oras em recessão? Se sim, então hoje é seu dia de sorte, pois é sobre isso que vamos falar agora, aprendendo um pouco sobre o impacto do uso do crédito/débito na Economia. Enfim, uma “rápida visita” ao fantástico mundo do Economia – então prepara a pipoca.

Este artigo é inspirado em um vídeo do website Economic Principles denominado “How The Economic Machine Works” (isto é, o título deste artigo, porém em inglês), criado por Ray Dalio. Trata-se de uma indicação de vídeo que recebi de Tim Ferriss por e-mail e é tão simples e ao mesmo tempo impressionante a forma como se explica o modelo econômico baseado em ciclos que não poderia deixar de comentá-lo aqui. Thank you, Tim!

Assim, recomendo também a todos os amigos do Clube a também assistirem ao vídeo (compartilho-o ao final deste artigo), mas como sei que alguns podem não assisti-lo por estar em inglês ou por ser muito longo, segue agora um resumo dos pontos mais importantes – acompanhados de minha opinião, claro.

Produtividade x Débito

Suponha uma comunidade que produz e comercializa uma mesma quantidade de bens e serviços entre si ao longo do tempo. Como a produtividade se encontra constante, o valor dos bens e serviços negociados entre si não varia ao longo do tempo – nesse exemplo, não há crescimento na economia local (ela permanece estagnada naquele mesmo valor).

Agora, considere que a tal comunidade possua um crescimento constante de sua produtividade – seja por aumento do número de empresas, mão-de-obra mais abundante e qualificada, melhoria nas tecnologias e processos de produção etc. Conforme a produtividade cresce, também a economia local cresce, o que permite a todos um maior consumo de bens e serviços – uma economia próspera, não? A figura abaixo representa o impacto do crescimento da produtividade ao longo do tempo sobre a economia local.

Máquina econômica - Crescimento da produtividade

Entretanto, alguns bens de consumo ou serviços prestados podem apresentar um alto custo inicial, um valor que uma pessoa ou empresa pode não dispor naquele momento. Como adquiri-lo se não possui aquele valor? Bem, nasce o conceito de crédito, em que uma pessoa usa o crédito que recebe de uma instituição financeira para realizar a aquisição, tal instituição (credor) paga ao vendedor ou prestador de serviço e a pessoa (devedor) pagará posteriormente (de uma vez ou parcelado) pelo crédito recebido, acrescido de juros (que crescem ao longo do tempo).

Dessa forma, ao introduzir a noção de crédito no modelo econômico anterior, percebemos que podemos antecipar uma compra (fomentando o crescimento), porém posteriormente precisamos pagar por isso bem como os juros devidos (reduzindo o crescimento), então o gráfico que antes era uma linha reta começa a apresentar curvas (ciclos). Um ciclo apresenta um momento de ascensão devido ao uso do crédito seguido de uma queda devido ao pagamento do mesmo. Considerando-se somente o impacto do débito no longo prazo (de 10 a 50 anos, por exemplo) teríamos algo similar à figura seguinte.

Máquina econômica - impacto do débido no longo prazo

Isso é o que acontece quando consideramos somente o débito usado para aquisição de imóveis ou bens caros, investimento em empresas etc. Entretanto, a ideia de concessão de crédito para “giro de mercado” foi tão bem aceita que incentivou-se bastante seu uso também no dia a dia – quem aí não conhece o cartão de crédito? Assim, pessoas e empresas fazem “pequenas dívidas” para um período bastante curto, provocando ciclos menores dentro daquele ciclo maior. Nosso modelo econômico, então, seria algo parecido com a seguinte figura.

Máquina econômica - ciclo do débito no curto prazo

Meu desenho não ficou muito bom, mas acho que transmite a mensagem desejada. Cada curva (ciclo) menor pode compreender um período tão curto quanto 5 ou anos ou menos, já a curva maior indica um período bem maior. Ao longo dos ciclos menores, o governo (por meio do banco central) ajusta a taxa de juros cobrada pelo crédito concedido como forma de controlar o uso do mesmo – ao final, crédito não é dinheiro e quando se consome muito do mesmo sem que se pague de volta no mesmo ritmo, o modelo econômico “quebra”.

Então em alguns momentos o crédito está “barato” (taxa de juros baixa), facilitando o acesso ao mesmo e aquecendo a economia; em outros momentos, quando o endividamento se encontra muito alto e corre-se o risco de que as pessoas não consigam pagá-lo no devido tempo, o crédito começa a ficar mais caro, forçando os cidadãos a controlarem o uso do crédito e reduzirem seus gastos.

Inflação x Deflação

Também sobre o preço dos bens e serviços, o uso do crédito possui impacto. Quando a economia “esquenta” e as pessoas estão comprando mais, a oferta reduz em relação à demanda e mercantes tendem a elevar seus preços. Se crédito é usado nessas operações, também o seu “preço” (juros) deve ser considerado, o que pode elevar ainda mais os preços dos bens e serviços – e a alta generalizada de preços é o que chamamos de inflação.

Em contrapartida, quando há uso de crédito em excesso e as pessoas reduzem o consumo ou por qualquer outra razão o poder aquisitivo das pessoas cai (altos índices de desemprego, por exemplo), ocorre uma deflação, isto é, a queda generalizada dos preços de produtos.

Geralmente consideramos inflação como algo ruim, já que os preços dos produtos estão subindo, então isso significa que deflação é algo bom? Não, pois a mesma acontece muitas vezes não como um reajuste de preços de produtos para um “valor justo”, mas como consequência de uma grande retração da demanda devido à queda do poder aquisitivo das pessoas. As empresas, então, precisam reduzir suas despesas internamente para reduzir preços e ainda se manterem sustentáveis – dentre as possíveis consequências temos as demissões em massa e queda na qualidade dos produtos e serviços.

E, indo um pouco mais além, a combinação de queda no poder aquisitivo, deflação e elevação do desemprego inicia um ciclo de decadência muito perigoso e difícil de controlar, que pode levar anos (décadas) para voltar ao ponto em que a economia de um país se encontrava anteriormente. Estamos falando das famosas crises e recessões.

No modelo apontado (no vídeo) por Ray Dalio, esse ciclo de ascensão + decadência tomaria de 30 a 70 anos e é praticamente inevitável. Em minha opinião, pode-se prolongar o máximo possível o momento de ascensão e assim adiar (ou mesmo minimizar) o momento de decadência na Economia de um país por meio de: (1) controle intensivo do uso do crédito; (2) melhor educação financeira da população (para que entenda os prós e contras do uso do crédito); e (3) incentivo ao crescimento da produtividade.

O crédito (e consequentemente o débito) não é de todo mal, desde que você saiba como usá-lo. O empreendedor que se utiliza de crédito para abrir ou expandir seu negócio de forma sustentável e lucrativa pagará pelo crédito concedido e terá um negócio em expansão ao final – bom para ele e para a economia local. Entretanto, se você adquire crédito (principalmente no curto prazo) apenas para consumir diversos bens e serviços, estará somente pagando mais caro pelos mesmos – o que é bom para o banco (desde que você pague), mas não é bom para você.

Três regras de ouro

Ray Dalio encerra seu vídeo com três regras fundamentais para o crescimento econômico saudável:

  1. Não deixe o débito crescer mais rápido que a renda – todo débito custa (principal + juros) e se você contrair muito débito que não esteja gerando receita, logo “quebrará”;
  2. Não deixe a renda crescer mais rápido que a produtividade – aumento de renda sem aumento de produtividade significa demanda maior que oferta de produtos, elevando assim o preço destes (inflação). Em outras palavras, sua renda nominal aumenta, mas seu poder aquisitivo (aquilo que você consegue comprar) permanece o mesmo ou até meio diminui;
  3. Faça tudo que puder para aumentar sua produtividade – essa é a melhor forma para se alcançar um crescimento econômico sustentável.

E finalmente o tão falado vídeo. Ele possui 30 minutos de duração, mas é realmente muito bom e fácil de entender, já que ele se encontra bastante ilustrado. Realmente recomendo que o assista.

Papo Reto: Economia se recuperando, mas você não pode brincar com seu dinheiro

No “Papo Reto” de hoje, dei uma olhada no que blogs e portais da área de finanças, economia e emprego publicaram recentemente e as notícias parecem animadoras no médio e longo prazo, entretanto não dá para “brincar com seu dinheiro”, pois se não fizer seu dever de casa e cuidar dele como um importante ativo na construção da prosperidade para a sua família, pode ter certeza que ele sairá “voando” pela sua janela – seja por meio de compra de bens desnecessários, mal uso de crédito ou investimento mal planejado para sua empresa.

Bem, aqui vai então um resumo do que está rolando para que você se mantenha informado e acerte em suas decisões financeiras…

Como organizar suas finanças sem ter um salário fixo

Publicado em: Me Poupe!

Tenho que elogiar, este artigo da Me Poupe! ficou bem legal e aborda os principais pontos a ser considerado quando você é um trabalhador autônomo e, portanto, sua renda mensal é bastante variável. Assim, os cinco pontos a se considerar são:

  1. Corte os custos fixos – a autora sugere a redução de diversas despesas fixas, isto é, gastos que ocorrem todo mês. Alguns deles: aluguel, água, energia elétrica, internet, telefone fixo, telefone móvel, academia, TV a cabo, Netflix etc. Quem me conhece sabe que quanto a isso eu assumo uma postura bem mais radical (This is Sparta!) e se aquele gasto não é essencial, simplesmente elimino-o por completo, e se for essencial, reduzo ao máximo. Sim, isso significa cortar despesas até mesmo com academia, assinatura de TV e outros. Ué, não sabe se exercitar sem ir a uma academia, my friend?
  2. Reduza gastos com cartão de crédito – ela recomenda o uso muito bem gerenciado do cartão, inclusive planejando o período certo para comprar itens no menor preço possível. Concordo e vou além: pense duas vezes se realmente precisa comprar aquela roupa nova (ué, qual o problema de eu ainda usar aquela mesma camisa há 6 anos se ela ainda cabe em mim? E estou falando sério);
  3. Controle e planejamento mês a mês – isso é o alicerce para a vida de qualquer um. Não somente a pessoa que não possui um salário fixo, mas todos, todos precisam disso. Aliás, eu diria que todos os passos aqui são essenciais para quem quer manter-se na linha quanto às suas finanças;
  4. Tenha uma boa reserva financeira – mais uma vez, é essencial, e vou complementar somente dizendo que o tipo de aplicação a que destinará o dinheiro da reserva depende de quanto tempo acredita que ficará lá. Talvez aplicar tais recursos em opções como CDB, LCI ou LCA. Como se trata de um valor que você pode ter que movimentar a qualquer momento, pelo menos o valor referente a três meses de despesa não aplicaria em Tesouro Direto, mas depois disso, vai fundo nele também!
  5. Busque formas de ganhar dinheiro “sem trabalhar” – gostei bastante das dicas que ela apresentou nesta seção e que me lembraram um pouco as dicas de Billy Imperial em seu livro 40 Hábitos Financeiros Para Uma Vida Melhor. Aliás, se desejar conhecer outras ideias para cortar gastos ou criar fontes de renda alternativa, esse livro apresenta dicas legais.

Resumo da ópera: um artigo interessante para o trabalhador autônomo e também para quem apresenta uma renda mensal bastante apertada.

Notícias dos boletins DinheiramaNews

Publicadas em: Boletins #178, #179 e #180.

Dentre as diversas notícias sobre o cenário político e econômico brasileiro apresentado, acredito que as mais relevantes para o público em geral e mais especificamente o pequeno e médio investidor são:

  1. Cresce a dívida pública – de 2013 a 2017, a dívida pública crescem mais de 20% do PIB, saltando de 50,8% para 71,4%. Dívida pública crescendo é um sinal de alerta a todos nós, pois já sabemos para quem o governo empurra as contas por meio de impostos, não é mesmo?
  2. BNDES aumenta volume de empréstimos a empresas de pequeno porte – graças a ajustes nas regras, o valor dos empréstimos nos cinco primeiros meses foi 200% maior em relação ao mesmo período de 2016 e espera-se que cresça ainda mais. Isso significa que você, empreendedor, pode conseguir finalmente aquele capital necessário para ampliar seu negócio, mas leve em consideração que ainda estamos em um período de crise/recessão/apocalipse financeiro e, portanto, deve usar cada centavo de um potencial empréstimo sabiamente, afinal não é “dinheiro dado”.
  3. Conta de luz mais cara em julho – e lá vamos nós de novo pagar mais caro! Eu só queria saber quando foi que pagamos mais barato! Ainda estou esperando aquela redução na conta prometida ainda durante o governo de Dilma Rousseff! O jeito é desligar as luzes e acender o candeeiro!
  4. Reforma trabalhista será votada na próxima semana – juntamente com a reforma da reforma da previdência, este é um dos pontos negociados neste governo que, no longo prazo, apresentará um impacto enorme na vida do trabalhador brasileiro. Já comentei aqui que, em minha opinião, quem mais sofrerá as consequências dela é o trabalhador assalariado, que muitas vezes apresenta maior rotatividade em empregos, possui maior dificuldade e inexperiência para investir pensando em seu futuro e ficará a mercê das “novas leis trabalhistas” e da “aposentadoria após a morte”.
  5. Taxa Selic cai, juros para crédito pessoal sobem – esperava-se que, com a queda da Selic (está agora em 10,25%) os juros para crédito também cairiam, entretanto devido à alta inadimplência, os bancos procederam no caminho contrário e aumentaram as taxas. Um cenário ruim para quem toma dinheiro emprestado bem como para quem investe, que com a queda da taxa Selic vê diversas opções atreladas a ela direta ou indiretamente (CDB DI, por exemplo) caírem também. Conselho para quem investe: fique esperto e use sua planilha para ver se as suas opções de investimento continuarão as mais lucrativas, já que a previsão é de encerrarmos o ano com a Selic em 8,75%. Conselho para quem precisa de empréstimo: é melhor “cortar na carne” e eliminar muitas despesas para precisar de menos crédito do que piorar ainda mais com essa bola de neve!
  6. Petrobras reduz preço do gás de cozinha – toda vez que vejo notícia de redução de preço do gás de cozinha ou da gasolina (tivemos uma recentemente) eu fico rindo, pois nunca vejo tal redução chegar ao consumidor final. Em outras palavras, é uma redução de lucro da Petrobras que não se converte em redução de despesa para nós, então alguém aí no meio de campo estará lucrando bastante com isso e não sou eu.
  7. Produção industrial sobe 0,8% e tem melhor maio em 6 anos – e agora uma notícia bem legal: a indústria brasileira está demonstrando sinais de retomada de crescimento, o que pode levar à geração de empregos novamente, mas o cenário político atual que atingiu diretamente até mesmo o presidente Michel Temer pode prejudicar a confiança de investidores e levar a um retrocesso.

Inflação cai, produção de petróleo e balança comercial sobem

Publicadas em Portal Brasil: Mercado projeta inflação menor, Produção de petróleo e gás cresce em maio, Projeção para balança comercial aumenta para US$ 60 bi.

As notícias dos últimos dias publicadas pelo Portal Brasil quanto à nossa economia estão bastante animadoras. De forma resumida, apontam que não somente já estamos tendo redução nos preços repassados ao consumidor (onde?) e previsão de inflação menor para 2017 e 2018.

Quanto à inflação, realmente ela está mais estagnada. Acho que esse é um termo melhor do que controlada, pois o que está acontecendo é que as pessoas não estão conseguindo comprar – veja a taxa de desemprego, número de fábricas que fecharam, empresas que decretaram falência etc. Então, não houve um controle, ela estagnou: não cresce mais porque “não há espaço” e isso não é muito bom, pois sem o seu devido controle ela voltará a crescer logo, logo.

Outras duas notícias, agora mais animadoras para quem investe, é que a produção de petróleo e gás cresceu no mês de maio (4,02%) e que o crescimento nos preços internacionais (em outras palavras, dólar subindo) e da quantidade de exportações fizeram com que a previsão para a balança comercial saltasse de US$ 55 bilhões para US$ 60 bilhões. Será que isso potencializará a recuperação financeira da Petrobrás?

Papo Reto: O que fazer caso a crise na economia brasileira persista

Como já sabe, o “Papo Reto” é uma discussão em que apresento um resumo de notícias e artigos da área de economia e finanças que podem ser de seu interesse. E se você não permaneceu dormindo ou embaixo de uma pedra ao longo dos últimos anos, já deve ter percebido que vivemos uma situação não muito privilegiada:

  • (Muitos) casos de corrupção em nossa política;
  • Uma presidente sofreu impeachment;
  • Vários ex-presidentes acusados de participar de esquemas ilícitos;
  • Risco-Brasil alcançou patamares assustadores;
  • Evasão de investidores estrangeiros;
  • Inflação disparou (porém agora segue “controlada” devido ao retrocesso de nossa economia, tanto que até pretendem reajustar a meta inflacionária);
  • Desemprego cresceu bastante (mas o Portal Brasil aponta que o número de desempregados está caindo);
  • Muitas empresas (principalmente de pequeno e médio porte) fecharam suas portas;
  • Reformas na educação, no trabalho e na previdência que muito provavelmente impactarão negativamente as famílias com menor renda (entretanto, Banco Central acredita que reformas permitirão o avanço de nossa economia);
  • Etc. (a lista é muito grande para tentar colocar tudo aqui)

Resumo da ópera: estão nos empurrando muitas mudanças como sendo positivas para nós, porém não nos é permitido discutir e votar a respeito (cadê plebiscito nessas horas?), cabendo somente a quem está lá em cima determinar o que é “melhor para nós”. Infelizmente, como já mencionei, considero que quem vai sofrer maior impacto com tudo isso são as famílias com menor poder aquisitivo. Nossa economia não vai nada bem, nossos políticos muitas vezes não estão lá para defender nossos interesses e cabe a nós assistir tudo “na pipoca”, porque nem mesmo camarote nos é reservado…

E agora, o que eu faço?

Vou lhe ser bem sincero: quanto ao cenário político-econômico de nosso país, pouco podemos fazer. Infelizmente, vivemos uma democracia em que a população não participa das grandes decisões mas que, como já disse, são tomadas por um grupo de políticos que muitas vezes não se preocupa com o impacto (ou vai me dizer que ter direito à aposentadoria integral somente após quase 50 anos de trabalho é realmente algo benéfico para o trabalhador?).

E uma coisa que eu venho aprendendo é que se não pode mudar algo deve buscar minimizar o impacto disso em sua vida. Por exemplo, caso a reforma da previdência social seja aprovada, ou você trabalhará por 49 anos a fim de conseguir aposentadoria integral ou se aposentará antes com uma renda menor. O que você pode fazer?

Invista em seu futuro! Você precisa investir HOJE o suficiente para que AMANHÃ não dependa somente da previdência social, caso contrário quando se der conta será tarde demais e não poderá fazer nada além de reclamar.

“Ora, mas eu não tenho dinheiro para investir!” Bem, é aí onde você se engana: se realizar os cortes de despesa certos, adiar um pouco alguns sonhos de consumo e aproveitar a oportunidade para investir em Tesouro Direto (escolha uma corretora que tenha “taxas zeradas” a fim de maximizar seu retorno), estou certo de que daqui a cinco anos você já estará vendo não somente “uma luz no fim do túnel”, como estará apto a traçar seus próprios planos e até mesmo sonhar mais alto – aquela viagem de férias para outro país pode não ser algo mais impossível, afinal.

Caso tenha “comprado a minha ideia”, é bem provável que você agora esteja se perguntando: certo, e por onde começo?

#1 – Invista em si mesmo

O melhor de todos os investimentos é investir em si mesmo. Já falei isso aqui várias vezes, mas é bom repetir. Sua educação é seu alicerce para conquistar melhores oportunidades de carreira ou abrir aquela empresa que você tanto queria. E caso você não saiba em que deveria investir, aqui vão algumas sugestões:

  • Língua portuguesa e produção textual – domínio de sua própria língua e a capacidade de escrever são peças fundamentais para o sucesso de qualquer pessoa;
  • Habilidades de comunicação e negociação – seja em um curso superior, na empresa em que trabalha ou numa reunião com clientes, saber comunicar-se bem e mediar situações conflituosas garante muitos pontos positivos;
  • Línguas estrangeiras – recomendaria primeiro a língua inglesa, por apresentar maior relevância em nível mundial, e em segundo a língua espanhola, por ser predominante na América Latina;
  • Curso técnico-profissionalizante ou superior – acredito que nem preciso falar dos benefícios desta opção, não é mesmo?
  • Conhecimentos em informática – não basta saber ligar o computador e acessar o Facebook. Sabe criar uma planilha para controle de estoque? Elaborar um relatório de vendas com gráficos? Ou uma apresentação em slides para expor uma ideia de produto ao diretor executivo de sua empresa?
  • Cuide melhor de seu corpo – quanto melhor cuidar, menos despesas com remédios, médicos e planos, além de garantir longevidade muito mais saudável. Você pode adquirir material e equipamento para treinamento físico ou estabelecer uma rotina para prática de esportes, por exemplo;
  • Invista em sua alimentação – similar ao item anterior, não adianta aplicar muito tempo e recursos para aprender línguas e outros cursos e não cuidar daquilo que come. Reduzir consumo de açúcares, gorduras e sal e aumentar consumo de frutas, verduras e carnes brancas já são bons passos iniciais;
  • E, claro, educação financeira!

Como disse, são somente algumas sugestões. Há muitas outras formas interessantes de investir em si mesmo. Além disso, os itens não estão em uma ordem de prioridade ou algo do tipo: o que você deve priorizar depende de seus planos e de seus pontos fortes e fracos.

#2 – Invista na regra dos 10%

Algum tempo atrás apresentei aqui a Minha regra dos 10%, que basicamente consiste em:

  • Reduza 10% dos gastos;
  • Aumente 10% dos ganhos;
  • Aumente 10% dos investimentos;
  • Dedique 10% do tempo para aperfeiçoar-se.

Perceba que o último item da lista “casa” perfeitamente com o que apresentamos na seção anterior (Invista em si mesmo) e os outros três itens possuem o objetivo de garantir que você conseguirá acumular recursos não somente para sua aposentadoria, mas também para sua viagem de férias, uma reforma necessária em sua casa etc.

#3 – Invista em hacks

Hack é o nome dado a qualquer método, técnica ou truque que pode ser usado para melhorar algum aspecto de sua vida (life hacks), saúde (health hacks), produtividade (productivity hacks), finanças (money hacks) etc.

Há uma infinidade deles e alguns funcionam melhor para algumas pessoas do que para outras. Um bom hack deve ser executado diariamente até que o mesmo torne-se um hábito, quando você passa a fazê-lo sem perceber, consumindo nenhuma energia e tornando sua vida muito mais agradável e produtiva.

Aqui estão alguns hacks que você pode considerar interessantes:

  • Health hacks
    • Ao acordar, beba um ou dois copos de água;
    • Comece o dia com 30 minutos de exercícios físicos;
    • Reduza ao máximo o consumo de gorduras, açúcares, adoçantes e sal;
    • Faça exames de rotina (check-ups) anualmente;
    • Aumente consumo de carnes brancas, reduza consumo de carnes vermelhas;
    • Na hora de dormir, não vá para cama com celular, tablet ou notebook.
  • Productivity hacks
    • Acorde cedo e dedique as primeiras duas horas à(s) tarefa(s) mais importante(s) do dia;
    • Não olhe seu e-mail toda hora: reserve uma ou duas sessões de 40 minutos em seu dia para isso;
    • Desligue notificações de todo tipo em seu celular, tablet e navegadores – chega de WhatsApp, Facebook, Twitter ou outro aplicativo para lhe avisar de “coisas importantes” toda hora;
    • Identifique o tipo ideal de som ou música para trabalhar/estudar: música clássica, pop nacional, instrumental, som de chuva ou vento e até mesmo o silêncio são algumas boas opções;
    • Use um aplicativo como “cérebro digital”, armazenando todas as suas anotações nele (eu uso o WorkFlowy);
    • Corte o mal pela raiz: reduza ao máximo o tempo desperdiçado com redes sociais, messengers, assistindo TV ou vendo websites inúteis. Você pode ter lazer muito mais produtivo lendo um bom livro, como “Os Segredos da Mente Milionária”, “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas” ou “Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes”.
  • Money hacks
    • Compre sempre à vista – e pechinche!
    • Aplique a minha regra dos 10% (acho que já disse isso);
    • Aplique os 4P’s da riqueza (artigo bem interessante do Dinheirama);
    • Crie um fundo de emergência correspondente a três a seis meses de despesas;
    • Tesouro direto é sua nova caderneta de poupança, invista nele mensalmente;
    • Evite “jeitos espertos para ganhar dinheiro”. Lembra-se da TelexFree?

É só isso?

Só isso??? Meu amigo, se puser em prática tudo o que foi mencionado aqui, perceberá que tomará alguns ANOS para esgotar todas as sugestões apresentadas, será no mínimo trilíngue, melhorará significativamente sua produtividade (se quiser, você pode aprender como dobrar sua produtividade), terá uma estabilidade financeira muito melhor e sua carreira estará pronta para decolar.

E repito: precisará de alguns anos, pois não basta fazer cada uma dessas coisas somente uma ou duas vezes. Um dado comportamento ou ação deve ser repetido por um bom tempo até se tornar um hábito. Alguns autores apontam que um hábito pode se formar após 30 dias de repetição… “pode”, mas não é garantido, porque quanto mais desconfortável for no início, mais tempo precisará, talvez de 60 a 90 dias. Além disso, não tente muitas coisas diferentes ao mesmo tempo, pois você acabará perdido.

Infelizmente, quanto à economia brasileira, pouco podemos fazer para alterá-la significativamente, além do famoso “faça sua parte da melhor maneira possível”. Assim sendo, por experiência própria, sei que se deve buscar tirar proveito ou pelo menos minimizar os efeitos da atual situação na sua vida e seguindo o que expus aqui, estou certo de que conseguirá.

Poupança no Brasil x Poupança no exterior

Você já percebeu que há uma “pequena diferença” entre os valores da rentabilidade acumulada de uma conta-poupança brasileira e uma conta-poupança em outro país, por exemplo, os Estados Unidos? Se ainda não, vamos atiçar agora sua curiosidade…


No Brasil: 8,30% a.a. (rentabilidade anual acumulada de 2016, segundo o website Minhas Economias)


Nos EUA: 1,05% a.a. (rentabilidade anual acumulada oferecida pelo Synchrony Bank, segundo o website Get Rich Slowly)


Percebeu agora? Notaram uma “pequena diferença” de uma para outra? Aparentemente, a caderneta de poupança brasileira é um melhor investimento do que as equivalentes americanas (vários outros bancos norte-americanos oferecem taxas muito próximas ou menores àquela apresentada), mas olhando tais dados assim, sem levar em consideração a inflação do período, pode não ser uma boa ideia… que tal olharmos então, de perto, qual foi a inflação acumulada em ambos os países?


No Brasil: 6,29% (IPCA acumulado em 2016, segundo website Valor Econômico)


Nos EUA: 2,08% (IPC dezembro 2016, segundo website Global Rates)


Agora as coisas começam a ficar mais interessantes: percebemos que a inflação brasileira cresce num ritmo bem maior que a inflação estadunidense – e olha que nossa inflação já atingiu patamares na casa de dois dígitos no acumulado de 12 meses, isto é, já chegou a ultrapassar os 10%! – mesmo assim, quando comparamos ambas as taxas, percebemos que ainda a caderneta brasileira é mais vantajosa, pois mesmo não sendo a melhor opção para investir consegue ao menos superar a inflação, enquanto a opção americana ficou abaixo da inflação.


Em outras palavras, após deixar seu dinheiro rendendo por doze meses, o brasileiro conseguiria retirar um valor (bem) pouca coisa superior ao valor depositado inicialmente, enquanto que nosso amigo americano teria uma pequena perda do valor investido… Estranho, não?


Mas antes que comemoremos, precisamos levar em consideração a variação cambial entre as duas moedas desses países, isto é, a variação do dólar frente ao real. E ao contrário da minha expectativa, durante o ano de 2016 o dólar caiu 19,4% (segundo o website UOL Economia). Interessante essa forte queda durante 2016, principalmente se levarmos em conta que a economia brasileira encontrou-se em crise durante aquele ano.


Assim sendo, devido à baixa inflação e forte valorização que a moeda americana geralmente assume, apesar de seu percentual ser inferior acaba por ser um investimento mais atraente que outras cadernetas de poupança – eu já havia realizado essa análise anteriormente e tinha sido favorável para os bancos americanos – entretanto 2016 somou também um período de forte instabilidade para o dólar, o que tornou as savings accounts (como chamam as contas de poupança por lá) nada atraentes, mas isso não quer dizer que é sempre ruim! Eu mesmo já consegui resultados terrivelmente péssimos em uma previdência privada – motivo pelo qual não mais a tenho!


Outro ponto importante é que comparamos somente as contas-poupança. Uma análise melhor poderia levar em consideração outras opções de investimento em renda fixa, como o nosso Tesouro Direto e a correspondente Treasure Bound. Aqui, vou transcrever um trecho de um artigo apresentado pela revista eletrônica Exame do ano passado, comparando o desempenho de ambas:


Ou seja, aqui, um título como o “feijão-com-arroz” Tesouro Selic rende seus 14,25% ao ano (menos taxas e IR), enquanto o igualmente popular Treasury Bond americano de dez anos está dando um retorno, em números redondos, de 2% ao ano.


Em outras palavras: em países em desenvolvimento como o nosso, apesar de enfrentarmos por vezes alta inflação e desvalorização de nossa moeda (que torna os produtos importados mais caros), as opções para investimento em renda fixa conseguem um retorno melhor do que aquelas presentes em alguns dos países já desenvolvidos. Provavelmente porque governo e bancos estão dispostos a pagar melhores taxas a fim de captar recursos (lembre-se que o dinheiro da poupança é usado para financiamento de imóvel popular e títulos públicos são vendidos também com o intuito de financiar obras e atividades do governo).


Em outras palavras: se você pode, comece a poupar hoje mesmo seu dinheiro, tão breve quanto for possível comece a comprar títulos e abuse destas opções em renda fixa para construir algum patrimônio. Utilize-se da vantagem que temos, principalmente para fazer reserva para o caso de precisar comprar mais tarde produtos importados que podem variar terrivelmente quanto ao preço – por exemplo, caso precise de um novo computador ou smartphone e os preços de mercado disparem.

Comprar a casa própria é um bom negócio?

Quantas pessoas não têm o sonho de ter sua própria casa? Entre o sonho e a realidade, encontram-se várias centenas de milhares de reais necessários para a aquisição e se você quer mesmo realizar este sonho precisa colocar as contas no papel e responder à pergunta: comprar a casa própria é um bom negócio? Resposta curta: atualmente e do ponto de vista financeiro, não. Bem, mas vamos detalhar para explicar quais são os problemas e como você pode contorná-los.

Comprar casa própria é um bom negócio?

Quando você adquire um imóvel, você precisará investir no mesmo uma grande quantidade de dinheiro que ficará imobilizada, isto é, que você não poderá usar para trabalhar por você em outras coisas. E considerando-se o valor total de uma casa, valor das prestações e o valor da mensalidade de um aluguel, percebe-se que um aluguel pode ser uma solução melhor do ponto de vista financeiro.

Tomemos como exemplo uma casa simples no valor de R$ 150.000,00. A mensalidade do aluguel girará em torno de R$ 500,00, que corresponde a 0,33% do valor, muito abaixo do que esse valor renderia em qualquer opção de investimento em renda fixa. Uma opção que renda, por exemplo, 0,8% a.m. estará gerando cerca de R$ 1.200,00, isto é, pagará o valor do aluguel e ainda sobrará R$ 700,00.

E todos falarão aqui que a casa tende a se valorizar. Sim, mas há custos de manutenção envolvidos na mesma que irão “devorar” uma parte do rendimento. Outra coisa a se considerar é que a valorização só realmente importa se você vendê-la em algum momento futuro e estamos considerando aqui a aquisição de um imóvel com o foco exclusivo na moradia.

MAS há uma boa razão para se adquirir uma casa: conforto, poder usá-la da forma que melhor lhe convier sem se preocupar com o caso do proprietário desejá-la de volta. Por exemplo, se a casa é realmente sua, você pode comprar móveis planejados que ficarão perfeitos nela, aproveitando ao máximo o seu espaço e criando um ambiente incrível para a sua família – mas poucos teriam coragem de fazer isso em uma casa alugada…

Então se você não abre mão do conforto, de ter a sua própria casa, o melhor a fazer é economizar e investir tanto dinheiro quanto puder visando médio ou longo prazo para a aquisição da mesma. Quanto dinheiro? Alguns falam em 20% (que é o mínimo exigido hoje pela Caixa para um financiamento), outros falam em 30% ou até 50%. Eu diria que, se possível, todo o valor, afinal de contas, quanto mais dinheiro você tiver investido mais rapidamente ele crescerá, diferente de quando você mantém um alto montante financiado, em que correrão juros e mais juros ao longo do ano.

Em uma simulação com 20% de entrada e financiando os outros 80% ao longo de 30 anos com juros de 10,5% a.a., quando terminar de pagar todas as prestações nessas você terá gasto o equivalente a quase quatro vezes o valor do imóvel! Porém quanto menor for o valor financiado, menor será o juro acumulado, então se você puder juntar 100% (ou quase) do valor da casa, você gastará bem menos. E o que fazer enquanto isso? Ué, alugue, afinal de contas é uma opção financeiramente mais em conta. Ou more na casa de algum parente, vai que cola?

Como fazer um país inteiro sair do vermelho?

Já falamos várias vezes aqui sobre como sair do vermelho, mas desta vez o artigo muda um pouquinho de figura, uma vez que deixamos a individualidade e partimos para a coletividade, isto é, como fazer um país inteiro sair do vermelho e prosperar.

A ideia de tal artigo não partiu de mim, mas sim da dúvida da leitra Raissa, que no artigo Como sair do vermelho? Dúvidas e respostas – parte 3 escreve o seguinte:

Eu queria ajuda para um trabalho pois queria saber: o que é preciso para um país sair do vermelho?

UPDATE: Este artigo foi publicado originalmente em 21 de março de 2011, mas estamos atualizando gradualmente nossos artigos, assim sendo o mesmo foi acrescido de novas informações e também correções.

Bem, Raissa, antes de mais nada, prazer em conhecê-la!

A sua dúvida é bastante pertinente: preocupamo-nos por diversas vezes sobre como prosperarmos individualmente, mas e quando falamos de uma nação inteira? Será que vale a regra “é só cada um fazer a sua parte” e pronto?

A minha experiência diz-me que não, não adianta a gente esperar que cada qual, individualmente, siga essa regra e pensar que no fim das contas somando todos os esforços teremos um país saindo do vermelho. Em minha opinião, trata-se de um esforço conjunto do governo, sistemas de educação e população.

Vamos falar então um pouco sobre o papel de cada um?

Governo

Comecemos então falando daquele que, infelizmente, parece ser o último onde conseguiremos mudanças realmente significativas. 🙁

Há muitos problemas na estrutura governamental do Brasil, por exemplo, que enquanto não forem solucionados não levarão a uma maior prosperidade do país. Bem, vejamos algumas coisas que contribuem negativamente para isso:

  • Governantes aumentando estupidamente seus próprios salários, causando grandes gastos públicos que poderiam ser empregados na construção de escolas e hospitais, contratação de professores, subsídios a novas empresas (que gerariam mais empregos) etc.
  • Desvios de verba de valores astronômicos. Dinheiro que deveria ser utilizado para gerar uma melhor qualidade de vida e desenvolver novas oportunidades à população sendo furtado por quem deveria administrá-lo!
  • Mau emprego do dinheiro público: enquanto algumas pessoas buscam empréstimos em bancos a juros altos por não conseguirem investimentos públicos facilmente para seu empreendimento, outras (por motivos alheios à nossa compreensão) alcançam financiamentos de valores bem altos!
  • Falta uma postura melhor de nossos governantes para incentivarem o desenvolvimento do conhecimento financeiro e espírito empreendedor da população. Sem tal educação, o Brasil continuará na mesma situação por um bom tempo!

UPDATE: É engraçado perceber que, sete anos após a publicação original deste artigo, continuamos enfrentando os mesmo problemas quanto aos nossos políticos, pois veja só o que temos visto em nossas TVs e jornais ultimamente: descoberta de grandes esquemas sistêmicos de corrupção envolvendo muitos dos grandes nomes de vários partidos políticos; impeachment da presidente Dilma Rousseff, com a ascensão de Michel Temer ao poder que, do ponto de vista do reajuste fiscal necessário, pouco fez; novas mudanças nas regras da previdência social, forçando a população brasileira a praticamente trabalhar por 50 anos para usufruir de no máximo 10 anos de aposentadoria; caos em várias cidades brasileiras que estão atrasando ou até mesmo parcelando o pagamento de seus servidores públicos, levando até mesmo a policiais militares a promoverem uma “paralisação sem greve”. E isso é só para citar algumas coisas!

Então você me pergunta, Raissa, o que é preciso para fazer um país inteiro sair do vermelho, não é? Bem, em primeiro lugar um corte salarial em alguns desses salários que já estão bastante inchados, bem como um corte do número de servidores públicos – há gente demais contratada e pouca gente trabalhando, isso é fato, todos nós sabemos mas sempre fica do mesmo jeito! UPDATE: O então presidente Michel Temer prometeu uma redução de 4 mil cargos comissionados, entretanto há mais de 30 mil em todo o país! Há um espaço muito maior para corte de cargos comissionados, redução e maior fiscalização de certos benefícios oferecidos a políticos e certos cargos públicos etc.

É necessário também o combate ao mau uso da verba pública. Neste ponto, acredito que devemos parabenizar a Polícia Federal que, nos últimos anos, trabalhou eficientemente e desmascarou muitas coisas erradas (governo Lula que o diga, nunca houve um governo no Brasil com tantas CPIs!), mas agora precisamos lutar para que os responsáveis sejam realmente punidos e não somente afastados para, na próxima eleição, voltarem a se candidatar! Quem rouba um comerciante é preso e por que quem rouba uma nação não o é? UPDATE: Parece uma grande ironia do destino estar atualizando este artigo logo após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o indiciamento do ex-presidente Lula em vários processos criminais e, por fim, o Partido dos Trabalhadores (PT) tendo a cara de pau de indicá-lo como candidato a uma possível reeleição, visando esconder a sujeirada e ainda conseguir foro privilegiado ao ex-presidente. A Polícia Federal está de parabéns, mas agora está na hora do Judiciário começar a trabalhar e mostrar que eles também querem um país diferente!

E por fim, após enxugar os salários e quadro de servidores e combater os desvios de verba, está na hora de um novo planejamento, não um planejamento para um ou dois anos, mas um planejamento que deveria ser executado por cinco, dez anos ou mais! Estamos falando se mudar completamente o Brasil, de trazer condições iguais a todas as pessoas, isso não pode ser conseguido da noite para o dia! E é aqui onde começamos a falar sobre educação…

O atual sistema educacional

Li outro dia que a partir de 2012 haverá educação financeira nas escolas públicas. Fiquei super feliz! Mas logo depois pensei: e quem é que vai ministrar essas aulas? Será que temos professores realmente habilitados para tal tarefa? Alguém vai me lembrar de que há cursos de Economia em todo o país, mas não estou falando somente em graduação, estou falando sobre experiência de vida também! UPDATE: Já se passaram vários anos e essa proposta nunca saiu do papel. Algumas escolas particulares até promovem seminários isolados sobre o tema como forma de orientar alunos do fundamental maior e do ensino médio, mas tal ação ainda não acontece de forma sistematizada nas escolas públicas – uma grande lástima…

Não me levem a mal, acredito que temos economistas muito bem formados no Brasil, mas o que nossas crianças precisam não é somente de um economista falando para elas, elas precisam acreditar no que estão ouvindo, elas precisam “ver o exemplo”, o professor precisa realmente ser o exemplo delas! Por que quando Pat Flynn, Darren Rowse, Custódio Fernandes e Paulo Faustino escrevem um artigo eu paro tudo e leio prestando bastante atenção? Porque eles são grandes exemplos para mim, eles fazem aquilo que dizem e fazem isso dar certo, como eu não deveria prestar atenção??? UPDATE: Risquei de minha lista o nome de dois colegas blogueiros em língua portuguesa porque seus antigos blogs que eu seguia foram desativados e hoje percebo muito “mistério e confusão” sobre como é a sua atuação hoje quando o assunto é “ganhar dinheiro na web”.

Agora, peguemos um outro exemplo: toda hora vejo nascer um “super blog” onde o autor diz saber tudo sobre ganhar dinheiro na Internet, mas não precisa mais do que dois minutos para perceber que é mais um desesperado, repetindo o que muitos outros falam em vários outros lugares da Internet. Sinceramente? Não me motivo nem um pouco a lê-los – na verdade, geralmente memorizo o endereço dos blogs deles a fim de evitar passar outra vez por lá!

Obviamente, com escolas públicas adotando educação financeira como parte de sua grade disciplinar, é esperado que as escolas privadas façam o mesmo em seguida. E aí nasce um novo temor: se o conteúdo a ser ministrado em escolas públicas não tiver a mesma qualidade daquele ensinado em escolas privadas, estaremos aumentando ainda mais a distância entre o “pobre” e o “rico”, isto é, o ensino privado oferecendo educação de grande qualidade, enquanto que o ensino público não estaria acompanhando.

Bem, o “segredo” para resolver isso pode estar numa completa repaginação dos sistemas de ensino público, pois não adianta oferecer educação financeira se as demais disciplinas também não são bem ensinadas.

Então, Raissa, do ponto de vista educacional, é necessária uma completa reforma do ensino público hoje a fim de oferecer educação de qualidade e aí sim, dentro deste novo contexto, inserir educação financeira e empreendedorismo como conteúdos essenciais nas escolas públicas e privadas!

Além disso, é necessário garantir que os profissionais que estarão à frente nesse processo educacional são realmente competentes e adotar um novo método de avaliação, ao menos para a(s) disciplina(s) de educação financeira e empreendedorismo. Talvez cada aluno devesse apresentar um projeto para um empreendimento ou planejamento para investimentos ao final do ensino fundamental e apresentar o mesmo implementado, em funcionamento e lucrando com o mesmo ao final do ensino médio? Achou isso um absurdo? Pense mais um pouco, leia Pai Rico Pai Pobre e Os Segredos da Mente Milionária e volte aqui para me dizer o que acha então, ok? 😉

UPDATE: Apontando mais uma vez alguma das mudanças propostas pelo atual governo, foi aprovada uma PEC que altera o ensino médio, aumentando consideravelmente sua carga horária, porém fazendo com que somente 60% das disciplinas sejam obrigatórias, dando liberdade aos alunos para escolherem os outros 40%, num sistema mais parecido com o presente nas escolas estadunidenses. Se veremos educação financeira e empreendedorismo nessa nova proposta e realmente em ação, ou se será somente mais um “tiro no pé”, teremos que aguardar até 2020, quando as primeiras turmas do ensino médio deverão seguir 100% dessa nova proposta.

Entretanto, obviamente, não adianta mudar o governo e as escolas e não mudar o maior elemento de todos: a cultura que a nossa população possui.

Nossa cultura

Pare para pensar: de que adianta o seu filho ir até a escola, aprender mil coisas sobre finanças, investimentos, marketing e empreendedorismo e, ao chegar em casa, perceber que sua família ignora tudo isso? Pior, ouvirem os pais desdenharem em sua frente de tudo aquilo que ele está aprendendo (sim, já ouvi sobre casos desse tipo acontecendo)? Você acha que seu filho se sentirá realmente motivado a aprender?

O Brasil precisa de uma cultura menos operária e muito mais empreendedora! Até a nossa televisão reflete isso: nos canais abertos, para cada uma hora de conteúdo focado em finanças, investimentos ou empreendimentos, temos 50 horas ou mais de programação do tipo: novela, reality shows, programas de palco que falam sobre a própria programação da TV etc. É com essa cultura que vamos crescer e prosperar?

Certo, você ainda não está convicto do que estou falando, não é? Vou dar mais um exemplo: conheço pessoas (não é, meus tios?) que gastam muito dinheiro com bebidas e outras coisas, mas que não lembram quando foi a última vez que compraram um livro para elas próprias lerem e aprenderem. Gastam com bebidas, baladas, boates, bares, restaurantes, praias, clubes, mas não gastam de forma equivalente com a sua própria educação.

Essas pessoas estão errando duas vezes! Primeiro porque estão abandonando a oportunidade de crescerem ainda mais, e não falo somente em termos profissionais, falo também sobre crescimento pessoal mesmo. E em segundo lugar, erram porque, agindo dessa forma, estão dando péssimos exemplos a seus filhos: “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” é em minha opinião a forma de agir mais ridícula, se você quer que seu filho estude e se esforce para conquistar posições melhores você próprio deve ser o exemplo dele.

Meu filho tem dois anos e meio de idade. Sempre que ele encontra uma moeda pela casa, ele já chama a mim ou à mãe dele para que lhe demos o dinheiro e, então, ele possa guardar em sua vaquinha (o cofre dele não é um porco não, é uma vaca mesmo! 🙂 ). Ele faz isso pois desde pequeno ensinamos a ele que aquele era o lugar certo para guardar o dinheiro dele. A partir dos três anos e meio, espero começar a mostrar a ele que esse mesmo dinheiro é que ele usará para comprar coisas de seu interesse, como doces e outras coisas. Em outras palavras, busco acompanhar a educação financeira de meu filho desde já, e olha que ele só tem dois anos e meio! UPDATE: Meu filho agora já tem oito anos completos, ganha uma mesada de R$ 25,00 e geralmente guarda seu dinheiro por um bom tempo para adquirir coleções de bonecos pequenos (ele é apaixonado por coleções de bonecos, principalmente de Dragon Ball!). Além disso, comecei a falar mais sobre conceitos de economia e por que economizar e investir pensando no futuro.

Enfim, Raissa, para resolvermos nosso problema cultural é necessário que a mudança comece em casa, nos nossos lares, expanda-se para os ambientes de trabalho, onde as empresas devem buscar formas de incentivar tais atitudes por parte de seus funcionários, para então chegar a outros círculos sociais.

Em outras palavras, só pedir para cada um fazer aquilo que descrevo em Quero sair das dívidas! – O guia não é suficiente, quando falamos de uma nação inteira, precisamos de algo bem mais organizado e que proporcione mudanças duradouras na cultura brasileira.

E então, Raissa, vamos ajudar a fazer nosso país inteiro sair do vermelho? 😉

UPDATE: Atualizar esse artigo foi um exercício incrível de comparar não somente a situação do país como a minha e de minha família há sete anos atrás e agora. E para você, do que mais gostou?

É melhor comprar mais ou investir?

Olá a cada um dos amigos do Clube do Dinheiro! Quem nos acompanha desde o início já sabe que falamos muito aqui sobre como melhor usar seu dinheiro a fim de fazê-lo render mais ao final do mês – afinal de contas, para alcançar seu objetivo de independência financeira, você precisa de mais do que somente “ganhar mais dinheiro”! E nessas conversas que já tivemos por aqui apontei algumas estratégias que uso em meu dia-a-dia:

  • Compras em atacado;
  • Redução de despesas;
  • Investimentos (de forma conservadora/moderada).

Do meu ponto de vista, cada um desses pontos trouxe incríveis benefícios para mim. E eis que hoje (há poucos minutos atrás, para ser mais preciso), deparei-me com um vídeo de Gustavo Cerbasi no YouTube em que ele aponta que o hábito de estocar produtos em casa pode ser prejudicial do ponto de vista financeiro. Em se tratando de palavras de Gustavo Cerbasi (grande consultor financeiro brasileiro), fiquei bastante curioso para saber se meu hábito poderia estar me prejudicando e decidi assistir por completo. Se desejar assistir, aqui vai o vídeo:

Resumindo: Cerbasi critica o hábito de estocar produtos quando o mesmo pode levar ao uso do crédito no final do mês por falta de dinheiro. Em outras palavras: se você compra mais do que deveria e acaba pagando juros no fim do mês devido a isso, então seu comportamento está sendo prejudicial. Nesse caso, o ideal é comprar uma quantidade menor a fim de ter capital para as contas cotidianas e não precisar usar do crédito.

Após ver o vídeo por completo percebi que meu comportamento não é prejudicial, pelo contrário, é bastante benéfico para as minhas finanças, pois:

  • Programo-me corretamente para comprar bastante, porém sem precisar pagar juros por isso;
  • Compro em maior quantidade aproveitando-me de ofertas em atacadistas ou locais com promoções reais, então reduzo minhas despesas;
  • Além disso, por precisar ir com menor frequência às compras, reduzo gastos com gasolina ou desperdício de tempo indo às compras.

Assim sendo, aquilo que já falamos várias vezes aqui continua mais real do que nunca: se você se planejar corretamente, algo que para outra pessoa poderia ser um risco (no caso, acabar por usar do crédito especial) pode ser uma oportunidade real sob medida para você. Então, se você tem o hábito de comprar em grande quantidade e acaba por pagar juros por isso, é melhor rever o vídeo de Cerbasi e mudar seu comportamento, mas se você segue nossa cartilha, já deve estar vendo bons resultados de seus hábitos financeiros mais saudáveis, não? 😉

Gestão do dinheiro em 2017 não será tão fácil assim

O primeiro mês de 2017 já passou e é bem provável que você nem lembre mais daquelas metas que estabelecera antes do reveillon, não é mesmo? Que bom que o Clube do Dinheiro está aqui, para ajudá-lo a não se esquecer de suas metas quanto à gestão do dinheiro! E já vou dizendo, “de cara”, que infelizmente para muitos cuidar de seu dinheiro em 2017 não será uma tarefa tão simples assim.

Cenário econômico atual

O grande problema é o momento que estamos vivendo, em que o país passa por uma recessão econômica e que, se a mesma perdurar por vários anos mais, irá corroer mais ainda o patrimônio das classes baixa e média. O primeiro “grande assalto” que sofremos foi com a inflação desencadeada durante os últimos anos, e agora, o segundo, acontece devido aos altos índices de desemprego, dificuldades das empresas de se manterem sem o devido capital de giro (quantas pequenas e médias empresas fecharam as portas nos últimos dois anos?) e, consequentemente, dificuldades em crescer nosso patrimônio líquido.

Infelizmente, durante as últimas gestões governamentais, o acesso ao crédito foi facilitado em um nível muito alto e, se por um lado significou financiamento de moradia e veículo próprio para muitas pessoas, por outro essas mesmas pessoas agora vivenciam um momento em que sua renda não é mais compatível com seus gastos, que aumentaram consideravelmente devido à dívida contraída.

Enfim, parece que nos iludimos um pouco, acreditando que tínhamos mais dinheiro em nossos bolsos quando na verdade estávamos firmando acordos para posteriormente pagar valores salgados por isso. E o que vemos hoje? Preços de imóveis à venda congelados, valores dos alugueis imobiliários caindo, restrições nos orçamentos familiares muitas vezes até quanto a compras essenciais e atrasos em mensalidades escolares dos filhos. Se você se identificou com alguma dessas situações, não se preocupe, você não é o único!

Não há “bala de prata”

Lembra-se de quando lia histórias de terror que diziam que somente balas de prata poderiam matar um lobisomem? Pois é, parece que a economia brasileira transformou-se em um lobisomem prestes a nos atacar e, infelizmente, não há bala de prata capaz de detê-la. Claro, estamos nos recuperando, é o que os especialistas prevêem (e assim acredito também), entretanto os estragos sofridos não serão restaurados antes dos próximos cinco anos, já que estamos falando de dezenas de milhares de postos de trabalho que foram encerrados, milhares de linhas de produção congeladas pela falta de demanda e por aí vai.

Então, a primeira coisa que precisamos saber é que não há fórmula mágica para resolver tudo. O brasileiro terá que ser mais uma vez criativo a fim de conseguir superar essa crise e fazer seu patrimônio líquido crescer (aliás, para muita gente, se não houver redução do patrimônio já será um grande avanço).

Dicas para melhor gerir o seu dinheiro

Se você está atento ao seu patrimônio líquido e quer que o mesmo continue crescendo (passo primordial para se alcançar a independência financeira no médio ou longo prazo), aqui vão algumas dicas:

  • Siga a Minha regra dos 10% (reduza 10% dos gastos, aumente 10% dos ganhos, aumente 10% dos investimentos e dedique 10% de seu tempo para aperfeiçoar-se);
  • Elimine dívidas, restrinja o uso do cartão de crédito e corte despesas supérfluas – este é um bom momento para encontrar oportunidades para investir visando aumentar seu patrimônio, mas isso não funcionará direito se seus hábitos financeiros não são muito saudáveis;
  • Assine nossa newsletter e receba nossos e-books gratuitos “Manual do Investidor” e “Como Ficar Rico – dicas, dúvidas e comentários” e/ou dê uma olhadinha em nossa seção de livros recomendados e adquira algum(uns);
  • E acima de tudo, tenha disciplina e paciência. Mudar hábitos e começar a construir seu patrimônio líquido de forma responsável e ascendente pode parecer algo muito entediante nos primeiros meses, mas conforme o tempo passa e os juros compostos trabalham a seu favor, é bem provável que compreenda a importância disso.

Este é um texto simples e direto para mostrar-lhe os desafios que encontrará ao gerir seu dinheiro em 2017. Quais outras dicas você acrescentaria a esta lista? Comente abaixo!

Educação Financeira – estão vendendo-lhe a “coisa errada”

Tentarei ser breve: há artigos por aí que dizem ensinar-lhe sobre Educação Financeira, mas não fazem isso realmente. E é aí onde mora o perigo, afinal de contas você está tentando aprender sobre isso e, de repente, vê em um website especialista no assunto aquele texto e pensa “ótimo, isso pode ser a resposta para os meus problemas!”. Deixe-me explicar mais devagar…

Como costumo fazer, estava lendo alguns textos recentes sobre negócios e finanças pessoais em alguns websites e blogs, quando me deparo com um texto “ensinando” uma forma fantástica, “quase mágica”, para conseguir uma renda extra por meio de investimentos em empresas e imóveis que, então, passariam a pagar todas as suas despesas – e ainda fariam sobrar algum dinheiro no seu bolso! Para não expor o website em que isso foi visto nem o autor do texto, vou chamar essa técnica de “Zig Zag Zum”. Para mostrar como isso funciona, o texto apresenta dois cenários:

Cenário A – Sem a técnica Zig Zag Zum

Primeiro, o texto aponta como seria o calendário de despesas de uma família comum, apresentando gastos com financiamento imobiliário, financiamento de um carro e escola – em valores um pouco altos (entre R$ 4.000,00 e R$ 8.000,00 no total), mas infelizmente dentro do que se pode encontrar em nossa realidade.

Cenário B – Aplicando a técnica Zig Zag Zum

A seguir, aponta que a mesma família poderia, aplicando a técnica Zig Zag Zum, obter rendimentos (por meio de dividendos e retornos de outras aplicações financeiras) capazes de arcar com todas aquelas despesas. Sim, buscando-se alternativas para se obter um rendimento extra, elas pagariam sozinhas aquelas despesas caras, o que faria com que mais de seu salário sobrasse no final do mês. Incrível, não?

Mas… está tudo errado!

Sinto muito, mas vou ter que ser o “do contra”. Veja só:

  1. A estratégia é toda baseada em investimentos financeiros e sabemos que não há opções de baixo risco que rendam acima das taxas de certos tipos de financiamentos ou dívidas, por exemplo, no caso de financiamento de carros. Se você pode investir algum dinheiro e está financiando um carro, é muito mais conveniente e seguro “apertar mais o cinto” (isto é, reduzir os gastos) e pagar mais de uma prestação do carro todo mês. Fazendo isso, você quitará o veículo muito mais rápido, em vez de continuar mantendo uma dívida de juros elevados quando comparados aos juros que você obterá de seu investimento;
  2. A técnica aponta o rendimento por meio de dividendos como uma das formas que entrará dinheiro para pagar suas contas mensais. Só esqueceu de dizer que dividendos são pagos semestralmente (às vezes, em uma única parcela no ano). Deve ser fácil, então, por meio de aquisição de ações de várias empreas alcançar valor suficiente para que seus dividendos supram suas necessidades mensais, principalmente considerando-se que o pagamento destes é semestral, não? Supondo que a taxa de rendimento mensal média que você obtém por meio de seus dividendos corresponda a 1% a.m. e você possua R$ 4.000,00 de despesas, você precisa alcançar “somente” a quantia de R$ 400.000,00 em ações. Sim, é claro que é possível, com o tempo e disciplina, alcançar aquela quantia ou até mesmo maior (e recomendo muito isso!), porém da forma que o texto explicita, dá a impressão de que será de forma rápida e sem esforço;
  3. O texto não aborda a necessidade de reduzir gastos. Ele não fala sobre estratégias para acumular e aplicar os valores necessários. Na verdade, o texto termina com um link para outra página onde poderá, a partir de seu e-mail, receber um e-book com a tal estratégia. Em outras palavras, não se trata de um texto educativo: ele foi construído por quem realmente entende o comportamento de seu público-alvo (pessoas que querem ganhar mais sem ter que se esforçar gastando menos), usa a linguagem certa para seu público (não menciona ter que reduzir gastos, quanto tempo levará para alcançar a quantidade necessária para tal nível de liberdade financeira etc.) e, de forma disfarçada, prepara o “gatilho” para mais tarde tentar vender-lhe seu produto. Sim, o texto termina sem ensinar-lhe nada, prometendo ensinar por meio do e-book, mas já sei “como acaba esse filme”…

Qual o problema?

Tudo bem tentar vender produtos ou serviços, não há nada de errado com isso. Só o que não considero certo é fazer isso por meio de um “texto informativo” que na verdade somente estará iludindo o leitor, fingindo que vai ensinar algo, mas está somente preparando o anzol e a isca.

Fala que vai ensinar algo sobre Educação Financeira, mas não ensina nada. Se você aprender como aliviar suas despesas financeiras, sinta-se à vontade para ler nossos artigos e cursos (você aprenderá muito e encontrará boas dicas para economizar e investir). Pode deixar um comentário descrevendo sua situação e tentarei ajudá-lo. E, se quiser dar um passo além, pode adquirir o e-book do professor Elisson Andrade (As 5 Etapas do Planejamento Financeiro), que apresenta um texto fácil de compreender e de pôr em prática por qualquer pessoa. Só o que não concordo é com isso de “vender” o texto como se fosse educativo, mas na verdade não passa de uma carta de vendas bem bolada e gritando resultados muito além daqueles que serão obtidos pela maioria das pessoas.