As crônicas do Clube – o gerente bancário, o consultor e a educação financeira

Olá a todos mais uma vez, amigos do Clube do Dinheiro! Fico, como sempre, feliz com a sua presença, e vamos começar mais uma discussão, desta vez a respeito de três elementos bastante comentados quando o assunto é dinheiro: o gerente bancário, o consultor e a educação financeira.

Se você gosta de ler artigos sobre dinheiros, negócios, investimentos e finanças pessoais, já deve ter “esbarrado” pela web com pelo menos duas ou três citações de cada uma dessas palavras. Resumidamente, o que gostaríamos de fazer é responder a três perguntas:

  • Qual o papel do gerente de banco: ajudar-nos em nossas finanças pessoais ou vender produtos do banco? Mocinho ou vilão?
  • Quem é o consultor financeiro? Seu objetivo é realmente orientar-nos financeiramente?
  • E a educação financeira? Onde ela entra em meio a tudo isso?

Três perguntas simples, porém bastante importantes para quem está trilhando o seu caminho para o sucesso e independência financeira e não está a fim de “tropeçar e cair num buraco”.

O gerente de banco

Comecemos falando sobre o gerente. Antes de mais nada, vale lembrar que ele é um funcionário do banco, pressionado para atingir metas. Entretanto, é também uma pessoa com bons conhecimentos financeiros, já que ele precisa conhecer cada um dos tipos de aplicações financeiras e demais produtos e serviços que o banco oferece.

Então se a pergunta fosse: o gerente tem conhecimentos que podem ajudar-me? A resposta seria sim. Mas a pergunta é um pouco diferente, pois buscamos saber a sua real intenção ali.

Quem já conversou com o seu gerente em uma agência bancária já deve ter passado por uma das seguintes situações:

  • Ele tentou “vender-lhe” um título de capitalização;
  • Ele incentivou-o a aderir a um novo pacote de serviços, que lhe ofereceria mais saques “gratuitos” mensais, maior valor de cheque especial e outros apetrechos por somente alguns reais a mais mensais;
  • Ele quis convencê-lo a aumentar o seu limite de cheque especial e cartão de crédito. Aliás, ele quis “vender-lhe” o novo tipo de cartão de crédito: o golden master plus ultra super hiper wonderful international world-class bank card.

Estas são atitudes que não exatamente buscam ajudá-lo a melhorar suas finanças pessoais. Na verdade, elas todas ajudam a melhorar as finanças… do banco. E por que ele faz isso?

Como comentei no início desta seção (e como Conrado também o fez em seu artigo Qual o verdadeiro papel do gerente bancário?), o gerente precisa atingir certas metas em seu trabalho. Ele está sendo pressionado por isso.

Certa vez uma prima minha trabalhou em uma loja de roupas do shopping de nossa cidade e ela comentou-me (na verdade, comentou com minha esposa, se bem me lembro) quão difícil era “bater as metas” todos os meses (sendo que os três primeiros meses eram probatórios e, se não conseguisse, rua).

No primeiro mês, ela conseguiu superar as metas, fazendo 120% daquilo que era esperado. No segundo, já não conseguira, atingindo cerca de 90%. No terceiro mês também ficou um pouco abaixo da meta e não deu outra – foi demitida.

Gerentes também possuem metas a cumprir e se não cumprirem eles perdem benefícios e bônus que recebem. Então este é o grande problema: uma pessoa que possui bons conhecimentos financeiros e poderia ajudar-nos a atingir as nossas metas financeiras na verdade vê-se obrigada a encontrar meios para tentar vender os produtos e serviços do banco para que possa atingir as suas metas.

Certa vez, conversando com o gerente de minha conta, o mesmo queria convencer-me a aplicar algum dinheiro em títulos de capitalização. Como eu mantinha na época uma razoável quantia em poupança, ele tentava me convencer afirmando que o título de capitalização rende quase a mesma coisa da caderneta de poupança e eu ainda poderia ganhar prêmios nos sorteios!

Primeira coisa que ele esqueceu de dizer: o rendimento “quase igual” ao da poupança é antes da dedução do imposto de renda! Após isso, o valor fica menor ainda. Quem é inteligente sabe que ultimamente a inflação tem quase “engolido” os rendimentos da caderneta de poupança, então eu lhe pergunto: e o que acontece quando comparamos a inflação e algo que renda menos que a caderneta? Provavelmente, chegaremos à conclusão de que aquele dinheiro perderá parte de seu poder aquisitivo, será desvalorizado.

Segunda coisa: nunca ganhei nada em sorteios. Certa vez, houve um sorteio de um jogo para computador para somente quatro pessoas e mesmo assim eu não ganhei o prêmio. Por que eu deveria aplicar dinheiro em algo onde o “grande retorno” é somente se eu for contemplado por sorteio? Isso para mim é bastante ilógico.

E por que ele tentou vender-me isso? Porque o banco o pressiona a isso. Ele precisa cumprir metas e dentre as metas está a necessidade de “vender” títulos de capitalização.

Então, entre mocinho e vilão, acredito que o mais certo é considerá-lo uma vítima. Na verdade, também não se pode considerar o banco um vilão (bem, ao menos não por isso). Simplesmente ele quer ganhar mais e mais (como qualquer um de nós) e nesse ponto está se esquecendo de zelar pelo bem-estar de seus clientes (um erro fatal no mundo dos negócios, muitas vezes).

E quem é o consultor financeiro?

O consultor financeiro é aquela pessoa com amplos conhecimentos na área de finanças e que está ali, disposto a ajudá-lo em seu planejamento financeiro, seja corrigindo falhas em suas finanças pessoais, seja indicando-lhe como melhor trabalhar seus investimentos financeiros.

Em outras palavras: o objetivo dele deveria ser ajudar o seu cliente (você) a prosperar financeiramente. Mas, como disse, deveria. Digo “deveria” porque podemos encontrar consultores financeiros que são associados a certas instituições financeiras e que ganham comissões por indicar novos clientes a um serviço. Aí, adivinha só o que acontece: é, voltamos mais ou menos à velha história do gerente bancário…

Então, se não tomarmos cuidado, poderemos estar pensando que um consultor está a nos indicar a melhor forma de prosperarmos quando na verdade ele está aproveitando para faturar alguma comissão. Bem, como saber se o consultor está tentando “vender-nos” um serviço?

  • Ele não cansa de lhe dizer quão importante é para a sua família que você tenha um seguro;
  • Ele aparenta estar vendendo-lhe um produto ou serviço e não buscando uma solução para os seus problemas financeiros;
  • Ele ganha comissões de instituições financeiras de acordo com os tipos de investimentos que você faz.

E aqui vai mais uma indicação de leitura interessante, o artigo Como escolher seu consultor financeiro, do website Futuro Sob Medida. Uma leitura clara, objetiva, enxuta e muito interessante.

E a educação financeira? Onde fica nisso tudo?

Você lembra do primeiro filme de As Crônicas de Nárnia? O guarda-roupa servia como um “portal”, uma forma de acesso ao mundo de Nárnia. Bem, podemos dizer que a educação financeira aqui possui o mesmo papel de dar-lhe acesso ao novo mundo – neste caso, aos conhecimentos financeiros necessários para fazer as decisões certas.

Então, a dica aqui é esta: em vez de tentar entender quem é mocinho, vilão ou vítima, é muito melhor ter os conhecimentos financeiros necessários antes de ir falar com um gerente bancário ou um consultor financeiro, assim você poderá determinar se o que eles falam realmente faz sentido e será interessante para você ou não.

Aqui, então, cabe a recomendação para dois de nossos cursos (não se preocupe, são gratuitos, então não estou tentando “vender-lhes” algo exatamente 🙂 ):

Quem já os leu sabe que os conhecimentos de um complementa aqueles apresentados pelo outro. Na verdade, possuímos vários cursos aqui, cada qual focado em um tema diferente (estou pensando em lançar em março um novo curso, agora sobre como vender melhor, pois isso é bastante útil para quem tem seu próprio negócio, mas isso já é uma outra história). Leia-os, aprenda o que puder e se tiver alguma crítica, elogio ou sugestão, sinta-se à vontade para fazê-lo.

Bem, “As crônicas do Clube” não é um livro baseado em um mundo fantasia para jovens e adultos, mas pode ser considerado um guia para que possa melhor lidar com as suas finanças no dia-a-dia, não? 😉

Até o nosso próximo artigo, livro, filme… Sei lá!

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