A mentalidade rica x a mentalidade pobre

A lição de hoje (terceira de nosso curso de Educação Financeira) trata da importância do “tipo de mentalidade” que você desenvolve. A forma como você pensa e age determina muito do seu “fator sucesso”, ou “o quanto você está aberto ao dinheiro”, como alguns poderiam preferir dizer.

Há diferença entre como pobres e ricos pensam?

Melhor do que distinguir como pessoas pobres e ricas pensam, é melhor dizermos que há diferenças entre como pessoas que buscam o sucesso real pensam para aquelas que somente lamentam e dizem não ter sucesso.

A verdade é que a grande maioria das pessoas que não alcançam o sucesso de fato e sentem-se pobres (muitas vezes não somente financeiramente) pensam de forma parecida, buscando mesmo que inconscientemente esquivar-se das oportunidades e do sucesso.

Esta teoria não foi criada por mim, na verdade a aprendi por experiências próprias e palavras de Harv Eker (que também não a criou, mas sim aprendeu de outrém e de experiências próprias). Em sua obra, Os Segredos da Mente Milionária, Harv Eker aponta argumentos suficientes para entendermos que aqueles que não nascem em famílias de boas condições aprendem desde cedo a odiar aqueles que possuem o dinheiro, a amaldiçoá-los e a encarar o dinheiro como a raiz de todos os males.

Apesar de este ser somente um mecanismo de defesa adotado pelas pessoas a fim de fingir não darem importância ao mesmo, acaba por desenvolver um conceito errôneo nas crianças – ter dinheiro não é bom.

E se você acha que ter dinheiro não é uma coisa boa, o que acontecerá quando você o tiver? Inconscientemente você o gastará, tentando livrar-se de tamanho “malefício”. E o que acontece quando uma boa oportunidade de negócio ou de emprego aparece? Pode pô-la a perder, pois tanto dinheiro poderá lhe fazer mal.

Pode parecer estranho dito assim, em tão poucas palavras, mas se você começar a rememorar tudo o que seus pais e parentes próximos lhe falaram sobre o dinheiro, vai lembrar-se de frases como:

  • Melhor ter pouco com Deus do que muito sem ele – bem, prefiro muito dinheiro com Deus; 🙂
  • O dinheiro não traz felicidade – e não traz mesmo, ele só compra: quem traz é o “frete” que ele pagou! 🙂
  • Ricos não prestam – e essa agora, pobreza virou atestado de bondade? Então por que padres e pastores possuem carros do ano e celulares mais caros que meu notebook? (peguei um pouco pesado, mas a mensagem tinha que ser dada)
  • É mais fácil um camelo passar por um buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus – ok, agora eu gostaria de receber um relatório completo com as estatísticas de ricos e pobres no céu e no inferno assinado por São Pedro!

Deixando agora as brincadeiras um pouco de lado, a verdade é que tais frases não nos ajudam em nada, pelo contrário, quanto mais acreditamos em tais afirmações, mais nos convencemos de que é melhor ser pobre do que ser rico. Bem, se queremos tanto ser pobres, por que reclamamos de não ter dinheiro, por que jogamos na Mega Sena e por que temos tanta inveja daqueles que conseguiram chegar lá?

Hora de abandonar conceitos errados

Na lição de hoje, você precisa começar a rever seus conceitos e a apagar aqueles que estão errados em relação ao dinheiro.

Quem me conhecia até os 18 anos e quem me conhece hoje (tenho agora 25 anos) sabe que mudei bastante meu conceito quanto à importância do dinheiro: abandonei conceitos errados e passei a enxergá-lo do jeito que é – uma importante ferramenta que pode ser sua aliada para alcançar muitas conquistas e sonhos em sua vida.

Se eu não tivesse abandonado meus conceitos inadequados, hoje provavelmente estaria em grandes problemas financeiros, pois a vinda do meu filho foi bastante inesperada – e quem tem filho sabe que criar um não é algo tão barato assim…

Se tiver dificuldades em abandonar tais conceitos, não fique constrangido ou envergonhado – realmente não é fácil. Para a nossa sorte, algum tempo atrás escrevemos um artigo chamado Os Segredos da Mente Milionária, que se trata de uma análise crítica sobre a obra de Harv Eker. Se desejar, pode adquirir o livro pela web, saiba mais neste outro artigo: Os Segredos da Mente Milionária – primeiras impressões.

As cinco principais diferenças entre a mentalidade rica e a mentalidade pobre

Em vez de dizer pessoas pobres ou pessoas ricas, o autor prefere dizer “pessoas de mentalidade rica ou pobre”, uma escolha bem mais acertada, que demonstra que mesmo que uma pessoa no momento não seja rica, pode já estar desenvolvendo uma mentalidade que a levará ao sucesso. Mas para encurtar as frases, usarei o termo pessoa pobre/rica como um sinônimo de pessoa de mentalidade pobre/rica e não como uma alusão à sua atual condição financeira, ok?

A partir dos dezessete arquivos de riqueza tratados no livro, podemos compilar e selecionar as cinco principais diferenças:

  • Pessoas ricas sabem que estão no controle, que podem fazer as coisas acontecerem. Pessoas pobres acreditam que pouco controle possuem, sentindo-se assim como meras vítimas. Uma forma de dizerem que não são culpadas pela atual situação financeira, que são somente vítimas, mas que muitas vezes custam-lhes boas oportunidades por não agirem na hora certa;
  • Pessoas ricas entram no jogo pensando em ganhar, correm, lutam pelo que querem. Pessoas pobres possuem tanto medo de perder que jogam o tempo todo pensando em não perder, não assumindo riscos, focando obstáculos em vez de oportunidades, enfim: elas deixam de entender como ganhar dinheiro para se preocupar com a possibilidade de perdê-lo caso hajam. Outra vez, desperdiçam oportunidades;
  • Pessoas ricas buscam companhia de indivíduos bem-sucedidos. Pessoas pobres buscam companhia de indivíduos fracassados, procurando uma oportunidade para falarem de suas frustrações também, em vez de buscar compartilhar casos de sucesso. Quase como consequência, pessoas ricas admiram outros indivíduos ricos, por participarem de seus círculos e conhecerem suas histórias. Pessoas pobres guardam ressentimento dos ricos, muitas vezes por inveja de suas posições sociais, ignorando a história daquelas pessoas;
  • Pessoas ricas pensam: “Como posso ter as duas coisas?”. Pessoas pobres pensam: “Somente posso ter uma coisa ou outra”. Perceba que ao questionar-se sobre “como”, pessoas ricas põem seus cérebros para funcionarem, para buscarem uma solução para o problema. Por outro lado, a afirmação das pessoas pobres somente as restringem, não lhes dando opções;
  • Pessoas ricas administram bem o seu dinheiro. Pessoas pobres administram mal o seu dinheiro. Perceba bem: se duas pessoas recebem R$ 2.000,00 por mês como salário e uma enriquece e a outra empobrece, o que aconteceu? Foi a falta de dinheiro que levou um a ficar rico e outro a ficar pobre? Ou há algum problema na gestão do dinheiro?

O problema não é a falta de dinheiro, é a má gestão dele!

Essa afirmação deixa muitas pessoas indignadas e muitos vêm até mim e dizem: ah é? E quem ganha somente salário mínimo ou menos, o problema é a má gestão do dinheiro?

Conheci certa vez um senhor que estava muito feliz por ter passado em um concurso público para trabalhar na limpeza pública. Aqui em minha cidade, infelizmente esse emprego recebe somente salário mínimo.

Apesar do pouco dinheiro, ele e sua mulher estavam felizes: ela era diarista e ele decidiu trabalhar também nos fins de semana com a limpeza de estabelecimentos comerciais próximos à praia a fim de complementar a renda.

Não eram ricos, é fato, mas cada qual estava ali a fazer a sua parte. O dinheiro? Eles sabiam exatamente a dificuldade para conseui-lo, logo o usavam de uma das formas mais acertadas que poderiam: na educação de sua filha, na época ainda uma criança.

Não sei de sua história hoje, mas tenho certeza de que o esforço que eles possuem em prol de sua filha trará bons resultados não somente para a vida dela, mas também para a vida deles.

Da mesma forma, os esforços poderiam ser direcionados a uma aposentadoria melhor, ou à quitação de um imóvel ou à viagem dos sonhos – se você pode, por meio de esforços coordenados, buscar alternativas e alcançar metas, quem pode dizer-lhe que não poderá mudar sua situação financeira?

Não importa se você ganha pouco ou muito dinheiro, o conhecimento em Educação Financeira é a melhor ferramenta para conseguir ir ainda mais além.

Exercício

O exercício de hoje é bem simples. Relembre toda a sua vida, tudo o que você ouviu ou viu a respeito de dinheiro e analise quais as situações erradas, frases ditas com efeito negativo quanto ao dinheiro e pense qual pode ter sido o impacto de tais coisas em sua vida.

Selecione tudo o que era inadequado e compreenda quão ruim pode ter sido o impacto daquilo em sua vida e corrija isso, por exemplo, se dinheiro não é a raiz de todos os males, o que é então? Repense tudo isso e assimile tal informação.

Por fim, se ainda não o fez, leia um dos artigos que indiquei aqui sobre a obra de Harv Eker e compreenda cada um dos dezessete arquivos de riqueza.

E então, pronto para abandonar uma mentalidade pobre e ter uma mentalidade rica?

[Este artigo faz parte de uma série de artigos que compõe o curso Educação Financeira]

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6 comments

  1. Art says:

    Ótimo texto como sempre.^^

    Engraçadas essas pessoas que gostam de fazer comparações a fim tentar justificar a própria incapacidade de alcançar um algo melhor, não é mesmo?
    “E quem ganha um ou dois salários?”
    1º É preciso entender que se o dinheiro é aplicado e gasto sabiamente a pessoa pode ganhar R$ 1,00 por dia e mesmo assim pode conseguir viver melhor do que uma pessoa que ganha R$ 1.000,00. Comodidade é uma coisa, riqueza é outra. E outra: Essa pessoa não precisa ganhar só um salário o resto da vida.
    2º Se essa pessoa que ganha pouco e está descontente, então ela precisa investir em si mesma de alguma forma a fim de conseguir ganhar mais. Seja tabalhando ‘por fora’, como faz o senhor do exemplo, seja investindo em cursos para conseguir empregos melhores. Tem pessoas que ficam 10 anos em um emprego reclamando que não gostam dele… que ganham pouco e bla-bla-bla… mas não procuram um algo melhor. Não são todos, mas muitas dessas pessoas preferem gastar R$200,00, R$300,00 em festas nos fins-de-semana do que gastar com plano de saúde, cursos, investimentos…
    “Ah, se eu não me divertir não sou feliz. Tenho que aproveitar agora porque posso não estar vivo amanhã…” Pensamento imediatista. A pessoa não precisa ficar a vida inteira trabalhando mas também não precisa gastar todo seu dinheiro se divertindo. Pelo menos não a ponto de esquecer suas outras responsabilidades e se endividar com isso.
    Aliás, se estão felizes comendo seus churrascos no fim de semana porque reclamam tanto da vida no dia seguinte?

    Abs^^

  2. admin says:

    Olá Art, fico feliz que tenha aparecido por aqui e mais ainda que tenha gostado do artigo. 🙂

    Vejo que já pegou ou já tem toda a ideia de como pensar a respeito do assunto, agora está na hora de praticar e garantir o seu lugar.

    Espero que o próximo artigo de nosso curso provoque em todos a vontade/necessidade de mudar as coisas, de não somente ficar esperando que aconteça.

    Acho que as principais diferenças entre muitos cursos de Educação Financeira e o nosso são: primeiro, não estamos aqui para decorar um monte de fórmulas matemáticas e que A é melhor que B, estamos aqui para aprender também como agir e COMEÇAR A AGIR, e segundo, não vamos somente falar sobre assuntos muito específicos, como o financiamento de uma casa ou quitar as dívidas do cartão de crédito, falamos de uma forma mais abrangente para que vocês tenham compreensão e autonomia para resolver esses e tantos outros desafios que a vida nos oferece!

    Um abraço e até breve!

  3. tales ribero says:

    bem eu concordo com tudo isso pois desde os meus 10 anos penso em ser rico e até hoje faço vários planos para enriquecer

  4. lucas says:

    O negócio é que pobre é muito folgado e fica dependendo do governo para se sustentar , tudo é governo . e outra , reclamam de tudo , saúde , educação ,emprego , caraaaa! poo , corre atrás !!! estudeee , faça sua vida valer a pena porque ela é a unica que nós temos , num fica dependendo de governo não ,pois governo só beneficia os deputados e não os pobre (essa é a verdadeira realidade)

  5. Gabbo says:

    Me desculpa mas acho que o artigo simplifica e banaliza demais. Voce diz: “pessoas pobres buscam a companhia de pessoas fracassadas…” só para fazer um exemplo.

    Todas as pessoas pobres se comportam assim? Tem certeza? Voce conhece todas?

    Outra: “pessoas ricas buscam a companhia de pessoas bem sucedidas”. Na hipótese de que isso for verdade, então, daí nem adianta um pobre buscar a companhia de um rico pois é lógico que ficaria rejeitado, excluído e sem outra chance a não ser a de se aproximar a outros pobres (com os quais falar das próprias frustrações, como você diz), ato que, portanto, nem seria fruto de uma escolha errada, como você criticou, e sim representaria uma escolha obrigada.

    Concordo com o fato de que ser pobre não traz atestado de bondade, claro ( do outro lado nem ser rico acho que é atestado de bondade ou é !? Seja claro que nem quero dizer que ser rico seja atestado de qualidades negativas).

    Só que ser pobre, de acordo com o que você diz, traz atestado de inveja, parece, e de outras qualidades negativas, sim. Essa é uma forma sutil, mas nem tanto, de reforçar formas de racismo quais o racismo social e econômico bastante comuns, que se traduzem no preconceito contra os pobres, a serem considerados pessoas que são pobres somente porque merecem ficar naquela condição e nunca, nunca, nunca por falta de opções e de oportunidade.

    Você tira totalmente o foco do fato que ganhar um salário mínimo no Brasil não dá muitas oportunidades, como situação de partida, a uma pessoa, para ela poder subir na vida.

    Sim, eu sei, o senhor do exemplo que você fez que passou concurso público para fazer limpeza e investiu, junto com a mulher dele, na educação da filha e talvez, quem sabe ( nem você sabe da história deles hoje) obteve um bom retorno para filha e para eles mesmos.

    E daí? Isso seria uma prova, um certificado de que se uma pessoa pobre não ficar rica é por preguiça, má vontade, etc? Porque ela não quer de verdade? Ou por que não acerta no investimento do próprio dinheiro?

    Sendo que a matemática não é uma opinião, está convidado a considerar o valor de um salário mínimo brasileiro, considere também o custo de um normal aluguel, somado ao de um plano de saúde e, esquecia, dos alimentos.

    Considere agora também, importante, o custo da mensalidade de uma escola particular de onde um aluno possa sair alfabetizado de uma maneira decente. Considerados todos estes valores, faça as contas.

    Agora, você tem todo direito de promover um curso de educação financeira. Isso é bom. Não acho preciso e, acima de tudo, não acho certo e ético, para você fazer isso, querer simplificar e distorcer a realidade. Obrigada.

  6. Hebert Dias says:

    Texto muito bem formulado e concordo que o dinheiro é bom para nós, traz benefícios e proteção. Mas queria fazer uma certa observação, já que você citou, a seguinte frase: É mais fácil um camelo passar por um buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus. Essa frase não é um simples conceito financeiro, um conselho vago ou um velho ditado. Provém das escrituras sagradas, inspiradas por Deus.
    Não entrando em méritos religiosos, mas por causa da citação, Jesus quis dizer que “É MAIS fácil um camelo passar pelo orifício duma agulha, do que um rico entrar no reino de Deus.” Jesus Cristo disse isso para ensinar uma lição aos seus discípulos. Um jovem governante rico acabava de rejeitar um convite para se tornar seguidor de Jesus e participar em muitas maravilhosas oportunidades espirituais. O homem preferiu apegar-se aos seus muitos bens do que seguir o Messias.

    Jesus não estava dizendo que era totalmente impossível que um rico obtivesse a vida eterna no arranjo do Reino, porque certas pessoas abastadas tornaram-se seus seguidores. (Mateus 27:57; Lucas 19:2, 9) No entanto, isso é impossível para o rico que ama mais os seus bens do que coisas espirituais. Somente por se tornar cônscio das suas necessidades espirituais e por buscar a ajuda divina pode alguém assim receber a salvação concedida por Deus.
    A ilustração do camelo e do orifício da agulha não deve ser tomada literalmente. Jesus usava uma hipérbole para enfatizar a dificuldade com que se confrontam os ricos que procuram agradar a Deus (reservar o máximo de tempo para ele) enquanto mantêm um estilo de vida rico, materialista.
    Obrigado, desculpe por algo, e por favor, continuem com seu belo trabalho!

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