A História do Dinheiro que você não conhece – parte 3

Sua (provável) história do dinheiro

A fim de que melhor compreenda quão fraca é a nossa relação com o dinheiro e como menosprezamos sua história e tendência ao longo dos anos, gostaria de relatar a “vida financeira” de um brasileiro comum:

  • Desde criança faz inúmeras perguntas sobre como as coisas funcionam, mas (quase) todas as suas perguntas relacionadas a dinheiro, a situação financeira da família e coisas similares recebem respostas não muito otimistas (quando são respondidas!);
  • Seus pais teimam em explicar-lhe a importância de poupar o dinheiro para – mas eles próprios não possuem ao menos uma caderneta de poupança!
  • Você precisa ir para a escola, ser o melhor aluno e tirar boas notas para um dia conseguir um bom emprego – entretanto seus pais não participam ativamente de sua educação e você acredita que há tempo demais pela frente para já se estar a falar sobre “um bom emprego”;
  • Você conclui o ensino fundamental – na época de seus avós, isto já era suficiente para garantir um estilo de vida muito bom para a sua família, hoje em dia você é praticamente um “zeroà esquerda”, tendo ainda um longo caminho pela frente;
  • Você conclui o ensino médio – na época de seus pais, uma pessoa com o ensino médio poderia encontrar um bom emprego (apesar de que já era preferível ter o ensino superior), mas hoje? Pessoas com ensino superior estão disputando vagas de empregos com somente um a dois salários mínimos… Você precisa se esforçar um pouco mais;
  • Graças às suas excelentes notas, “matar-se de estudar” por um ano  e um bom vestibular, você consegue entrar em um curso universitário – parabéns! Se você mora em algum estado do Nordeste, onde o custo de vida é um pouco menor, você já pode conseguir um estágio de 20 horas semanais que lhe pague cerca de… R$ 300,00 (aqueles com melhores pagamentos ainda são, infelizmente, exceção). Em outros lugares a bolsa de estágio é maior – mas o custo do transporte, alimentação, lazer, educação, etc. também é maior;
  • Você conseguiu concluir o ensino superior – meus parabéns! Todos aqueles anos estudando serviram para alguma coisa – você agora tem um diploma embaixo do braço. Isso lhe dará um emprego certamente? Bem, conheço pessoas graduadas em Serviços Sociais, Comunicação, Pedagogia, Educação Física, Medicina Veterinária ou Direito que, após a conclusão do curso, não conseguiram um emprego por um, dois ou até mais anos! Mas olhe pelo lado bom: você tem um diploma embaixo do braço, deve servir para algo, não? A verdade é que os cursos superiores estão aos poucos perdendo seu valor, devido à grande quantidade de pessoas que buscam nestes o “caminho para a salvação”, seguindo todos a mesma rota. Com isso, somos obrigados a estudar cada vez mais – hoje, qualquer vaga em empresa privada que pague mais do que três salários mínimos já exige alguma pós-graduação, como uma especialização;
  • Você conclui uma ou duas especializações (mais um ano estudando, cada) e consegue um mestrado (outros dois anos) – agora sim, após tantos anos estudando, você se torna um profissional cobiçado pelo mercado! Bem, ao menos até o ano de 2015, pois acredito que, nesta época, especializações e mestrados estejam bem mais populares e como você já deve ter entendido, a “lei da oferta e da procura” fará com que os salários sejam sempre reajustados, forçando-nos a avançarmos sempre mais caso queiramos ao menos permanecer competitivos;
  • Você finalmente está empregado, mas pouco compreende realmente sobre dinheiro. Se quiser melhorar seu padrão de vida, suas poucas opções são: exigir um aumento e procurar outro emprego;
  • Aqueles mais experientes e controlados depositarão uma parte do que recebe em caderneta de poupança ou invistirão em algo que “um amigo indicou”, o que pode significar um grande erro, pois não se deve investir em algo que não se conhece…

Até aí, já somam mais de 20 anos estudando… Posso lhe fazer uma pergunta? Você considera certo que precisemos estudar durante pelo menos 20 anospara que possamos ser considerados bons profissionais para o mercado, principalmente considerando que o tempo de trabalho no Brasil vai de 30 a 35 anos? São quase dois anos em sala de aula para cada três anos que trabalharemos!

Não, definitivamente há algo muito estranho e errado nesta minha conta, mas por mais que a refaça, ela sempre termina neste mesmo valor, sendo assim, não sou eu quem errou nela – errou quem “criou” o sistema deste jeito. A não ser, claro, quem tenham criado o sistema para funcionar exatamente desse jeito – obrigando-o, amigo leitor, a ser responsável por uma formação educacional custosa (e extremamente ineficiente, pois não consigo me convencer da importância de estudar por mais de 20 anos para “estar capacitado”) e pagando quase um terço do que recebe em impostos sobre a renda (na verdade, se somarmos impostos sobre produtos e serviços, descobriríamos que trabalhamos mais de 60% de nossas jornadas de trabalho para manter a “grande máquina estatal” funcionando).

Enfim, o que quero mostrar com essa história é que o velho conceito “estude, tenha boas notas e consiga um bom emprego” não é um bom modelo para uma vida profissional e financeira de sucesso.

Uma conspiração para a todos dominar

Desculpe-me a paródia com a frase de “Senhor dos Anéis”, mas não pude evitar.

Antes de mais nada, sim, a Conspiração dos Ricos realmente existe. Muitos podem considerar como somente um “golpe publicitário” ou uma “jogada de mestre”, mas a verdade é que Robert Kiyosaki faz um excelente trabalho falando sobre uma verdade que poucos gostam de comentar – como aqueles que possuem dinheiro conseguem manipular o dinheiro e outros fatores a fim de conseguir gerar ainda mais dinheiro para si próprios.

Entretanto, conforme comentamos anteriormente, o “dinheiro real” possui quantidade e valor fixados, o que significa que, se em algum dado momento aquele “dinheiro inventado” precisar ser alterado para dinheiro real, alguém acabará perdendo dinheiro – e geralmente não são eles que perdem, mas sim nós, que estamos na outra ponta.

E antes que sigamos adiante e cometamos o erro de “nadar contra a corrente”, isto é, ir contra as regras do dinheiro criadas por aqueles que o detém bem bem como determinadas pelas grandes mudanças econômico-culturais, devo alertar que quem o fizar terá grandes problemas e provavelmente será “pisoteado”. Qual a melhor solução? Um bom aprendizado a respeito do dinheiro, o  desenvolvimento da educação financeira e saber utilizar-se das novas regras do dinheiro a seu favor.

“Nadar a favor da corrente” é sempre mais fácil. 😉

Hora de criar a sua “história do dinheiro”

Estamos finalmente terminando este artigo sobre a história do dinheiro que, de tão interessante e aprofundado que é este assunto, acabou se transformando em três artigos!

Há uma verdadeira revolução a respeito da dinheiro e as mudanças só tenderão a ser cada vez mais dramáticas, sendo assim, o melhor que podemos fazer é enxergar o assunto “dinheiro” com novos olhos. Estuda-se a História para compreender quais fatos do passado desencadearam certas ações no presente e, assim, poder mudar o futuro para melhor. Você também pode fazer isso sobre a História do Dinheiro: compreendendo o passado e o presente do mesmo, determine qual será o seu futuro em relação ao dinheiro. Começe a reescrever hoje mesmo a sua “história do dinheiro”!

Compreender isso foi um dos primeiros passos para a minha “transformação”, quando passei a encarar o dinheiro não mais como um “mal necessário”, mas sim como uma poderosa ferramenta.

No próximo artigo discutiremos acerca de três “hábitos econômicos” bastante distintos que um indivíduo pode ter: gastar, poupar e investir.

Bem, mas antes, da mesma forma que procedi no curso Manual do Investidor, que tal um exercício?

Exercício

Agora, é a sua vez de “bancar o historiador” e procurar encontrar mais informações sabe a história do dinheiro. Quanto mais você estudar a história do dinheiro, mas você se tornará um “expert” sobre ele, não é mesmo?

Então, você pode procurar no Google, em outros mecanismos de busca ou em livros. Você pode também tomar como ponto de partida nosso curso Estudando a conspiração dos ricos, onde você poderá aprender muitas coisas sobre o passado e o presente do dinheiro em nossa sociedade.

Após tal leitura, peço que escreva aqui um comentário de cerca de três linhas falando sobre o que você encontrou. Lembre-se de falar sobre algo que não foi comentado em nosso curso ou nos comentários nesta página, ok?

[Este artigo faz parte de uma série de artigos que compõe o curso Educação Financeira]

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4 comments

  1. Carla Miranda says:

    Olá!
    Parabéns pelo artigo!
    Gostaria de indicar o livro “A História da Riqueza do Homem”, de Leo Uberman. Ele conta toda a história do dinheiro, desde antes da sua criação, de uma forma muito simples, utilizando uma linguagem muito fluida, o que torna a leitura realmente muito atrativa. Mesmo quem não gosta de História vai apreciar a leitura.

    Abçs,

  2. admin says:

    Olá Art, olá Carla, tudo bem?

    Estou tomando nota das sugestões de vocês e, tão breve quanto for possível, procurarei o livro que me indica (o artigo já estou lendo).

    Um abraço e, mais uma vez, obrigado pelas indicações!

  3. admin says:

    Acabei de ler o artigo que você indicou, Art – (muito) longo, mas a leitura é muito boa e explica muito bem como funciona o sistem monetário. Parabéns pela indicação. 🙂

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