A História do Dinheiro que você não conhece – parte 2

O mundo sem dinheiro

O que aconteceria se, hoje, ainda não tivéssemos um sistema monetário?

Provavelmente estaríamos ainda a praticar o escambo – e você já imaginou quão complicadas seriam nossas relações comerciais?

Vamos supor que você fosse um fazendeiro produtor de arroz. Se não há dinheiro, então não há venda, logo você estocaria toda a produção e iria trocá-la na medida em que fosse necessária – só aqui, cada pessoa poderia precisar de um armazém para manter seu “dinheiro” (no caso, o produto que possui e utilizará nas trocas).

Interessado em um trator novo, decide ir comprar um, mas quantas toneladas de arroz são necessárias para comprar um trator? E como transportar todo esse arroz até lá? Definição de preços e logística já começam a ser um problema.

Indo mais além, podemos dizer que sem a estrutura capitalista (e a mentalidade consumista) que há em nossa sociedade, muitos dos avanços tecnológicos que temos à nossa disposição hoje não teriam acontecido.

O avião, a televisão ou mesmo este computador onde está a ler nosso blog agora, nada disso teria sido inventado se não houvesse alguma demanda. Um sentimento de necessidade de alguém que possui poder aquisitivo para adquirir determina muitas das evoluções ocorridas ainda hoje.

Sendo assim, se quer realmente desenvolver sua educação financeira deve, em primeiro lugar, compreender que o papel do dinheiro em nossa sociedade está longe de ser o de um vilão como muitos pregam. Como ferramenta, os resultados provenientes dependem das intenções daqueles que o manuseiam.

O dinheiro hoje (e a conspiração dos ricos)

O mundo tem mudado muito e, com ele, vários traços culturais, tecnológicos e econômicos.

Até 60 anos atrás ou mais, o dinheiro era um bem muito tangível – era necessária ver o dinheiro impresso ou a moeda cunhada a fim de dizer-se que o mesmo realmente existe. O mesmo era usado geralmente na compra de itens tangíveis (produtos agrícolas, roupas, etc.) ou na educação, formando assim operários e outros profissionais.

Conforme nossa sociedade avançou, muita coisa foi mudando, desde costumes sociais aos tipos de produtos e serviços oferecidos.

Se ontem era necessário um produto tangível para a compra ou venda ocorrer, hoje, com a grande expansão dos serviços e dos produtos digitais, o dinheiro é movimentado sem que haja um produto real, tangível.

Tomemos como exemplo um grande portal de notícias como o UOL, por exemplo, onde a venda de publicidade direta e programas de afiliados podem ser bastante lucrativos. Esse portal pode vender uma publicidade para uma empresa da área de educação à distância que pagará, por exemplo, por cada aluno que se matricular em algum curso por meio de seu portal.

O aluno, por sua vez, poderá aproveitar-se das facilidades do cartão de crédito para pagar online o valor do curso. Perceba que no momento de toda a negociação, ainda não havia dinheiro – mas toda a movimentação ocorrera como se o dinheiro já estivesse ali, “tangível”.

Claro, alguém poderia me lembrar, a conta do cartão de crédito precisará ser paga, então neste momento o “dinheiro real” precisará entrar, não é? O conceito do mesmo, sim, mas não é necessário que tenhamos o dinheiro impresso ou a moeda cunhada para isso. A pessoa poderá pagar aquela conta por meio de uma opção de débito automático, não entrando em contato com cédulas ou moedas. Seu salário, pode provir da prestação de serviços, recebendo pagamentos por meio de cartões de crédito e cheques, aumentando ainda mais a “rede de transações” sem que dinheiro impresso precise ser aplicado.

E vejam que este nada mais é que um exemplo bastante simples: quanto mais estudarmos, mais perceberemos como os conceitos sobre dinheiros, dívidas, créditos, impostos e estabilidade financeira estão sendo alterados.

Na época de seus avós, por exemplo, um indivíduo poderia ser considerado estável financeiramente caso tivesse um bom emprego que sustentasse ele e sua família. Hoje o conceito de estabilidade financeira vem sendo estendido para o conceito de independência financeira, onde o indivíduo é capaz de manter o mesmo padrão de vida mesmo que não possua mais seu emprego, graças à aquisição de diversas fontes de renda.

Robert Kiyosaki faz um excelente trabalho em seu livro Conspiracy of the Rich descrevendo a existência de uma conspiração formada por pessoas e entidades que sabem jogar o “jogo do dinheiro” a fim de conseguir “fazer o seu próprio dinheiro”. Para nós, leigos, pode parecer muito estranha a frase “fazer dinheiro”, principalmente para nós brasileiros, tão acostumados que somos com a expressão “ganhar dinheiro”, mas a verdade é essa: há certas entidades e pessoas que simplesmente conseguem “fazer dinheiro”, isto é, sabem manipular perfeitamente esse dinheiro “tão fino quanto ar” (nas palavras de Kiyosaki) a fim de terem mais e mais.

A “intangibilidade” do dinheiro, importância da independência financeira e a possibilidade de “fazer dinheiro” apontam para um mesmo lugar-comum: precisamos reavaliar e re-estudar nossos conceitos sobre o dinheiro, caso não queiramos ficar para trás.

O “dinheiro real”, aquele impresso em cédulas e moedas cujo valor não pode ser negado, é finito – a fim de não sofrermos com uma super-inflação, sua quantidade deve ser controlada. Já o “dinheiro intangível”, “virtual”, pode se multiplicar e muito. O problema ocorre quando bancos ou outras instituições abusam de certos privilégios para “criar dinheiro” sem valor, o que leva a uma grandes desvalorização do nosso dinheiro.

[Este artigo faz parte de uma série de artigos que compõe o curso Educação Financeira]

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