A Conspiração contra nossa Inteligência Financeira

A Conspiração contra nossa Inteligência Financeira

E aqui vamos nós ao quinto capítulo de A Conspiração dos Ricos (lembrando que o título original da obra em inglês é Conspiracy of the Rich e que este em português é uma tradução livre, ok?), uma obra que em minha opinião é um grande marco quando se trata de explicar o dinheiro, como funciona o “mundo do dinheiro” e o que há “por trás dos bastidores” do mundo financeiro.

E o capítulo de hoje não poderia ter um título menos polêmico do que os anteriores, não é? Desta vez, trata-se da conspiração contra nossa inteligência financeira, isto é, a forma como toda essa “conspiração” que o autor nos aponta se une para não somente ganhar dinheiro a partir do nosso dinheiro mas também nos ludibriar a pensar que esta é a forma correta como as coisas devem acontecer.

Em minha opinião, algo bastante interessante que Robert Kyiosaki explica aqui é como os bancos conseguem fazer dinheiro a partir do nosso dinheiro. E sim, não posso continuar nossa conversa sem antes explicar isso, não é?

Segundo o autor, conforme o sistemas monetário e financeiro avançavam evoluíam gradualmente, aqueles que tinham o papel de guardar o dinheiro (os bancos) começaram a perceber a possibilidade de emprestar o dinheiro que eles guardavam a outrém e cobrar juros em cima deste).

No início, eles somente poderiam emprestar o dinheiro que eles possuíam, mas conforme o sistema financeiro tornava-se mais complexo e sofisticado, passaram a poder emprestar dinheiro sem ao menos tê-lo, baseando-se somente em um sistema muito similar a “recibos”, “notas promissórias”. Neste caso, a pessoa que recebesse o tal “recibo” de quem tomou o dinheiro emprestado do banco iria ao banco requerer aquele dinheiro. E agora?

Simples, o banco agora se usa do dinheiro que ele possui lá depositado – o meu e o seu dinheiro – para pagar aquela dívida, mas nós nem mesmo perceberíamos a falta do dinheiro, pois os devedores irão devolver o dinheiro parceladamente, com algum juro sobre ele. Nós temos nosso dinheiro de volta (nem percebemos que ele saiu de lá) e o banco fez dinheiro sem ter o tal dinheiro. Mágica!

De acordo com as regras de cada país, um banco poderá ter N em empréstimos para cada 1 real (no caso da nossa moeda) em suas reservas.

Para ficar mais claro, vamos supor uma proporção de 10 para 1. Quando você deposita R$ 100,00 em um banco, ele poderá emprestar R$ 1.000,00 a outras pessoas. Suponhamos que o banco ofereça-lhe 5% de juros em cima daquele valor para você e cobre 10% de juros daqueles que pegarem o dinheiro emprestado, sendo assim, pelos seus R$ 100,00 ele lhe dará R$ 5,00, enquanto que pelos R$ 1.000,00 ele ganhará R$ 100,00. Você terminou com R$ 105,00 e o banco, que não colocou seu próprio dinheiro nessa história, saiu com R$ 95,00 a mais.

Mas… E de onde virá tanto dinheiro que simplesmente apareceu? Isso não afeta a economia? Sim, afeta, e é um dos causadores da inflação, pois quando o banco gera “recibos” de dinheiro, eles circulam exatamente igual ao dinheiro. E quanto mais fácil o dinheiro circula, menor é o seu valor. Quem paga por isso, o banco ou nós? Nós, os donos do “dinheiro de verdade”.

Mas… isso não acontece com todos os bancos

Outra coisa bastante interessante que o livro aborda é o fato de que este processo não é exatamente igual para todos os bancos, por exemplo quanto aos bailouts, ajuda financeira que certos bancos recebem do governo ou de instituições reguladoras da economia nacional. Há inúmeros bancos em cada país e nem todos podem receber um bailout.

Se um banco pequeno, por exemplo, passar por dificuldades financeiras e precisar do dinheiro, eles podem não receber um bailout, na verdade, muito provavelmente uma instituição reguladora do crédito e da economia intervirá, ressarcindo diretamente aqueles que possuíam dinheiro no banco (desde que estejam amparados pelo regulamento) e deixará o banco falir. Outros bancos poderão ser comprados e incorporados a bancos maiores.

Já os grandes bancos, estes sim terão auxílio em dinheiro para corrigir sua situação. O problema é que, segundo o autor, estes são geralmente os causadores de muitos problemas na nossa economia por assumirem riscos altos demais quando emprestando dinheiro. Desta forma, os responsáveis jamais são afetados e tudo começa outra vez.

Regra do dinheiro #5 – A necessidade da velocidade

Em sua explicação da história do dinheiro indo desde o escambo (isso mesmo, aquele sistema de troca de mercadorias sobre o qual você deve ter ouvido falar na escola) ao dinheiro virtual (o dinheiro que é facilmente criado, replicado e controlado sem que o mesmo exista realmente), percebe-se a importância do conseguir “fazer dinheiro” cada vez mais rapidamente.

E a forma como fazemos dinheiro dita muito do quanto do mesmo irá circular, determinando assim o quanto podemos ter.

Desta forma, por mais que um médico seja muito bem remunerado por cada paciente que atende ou cirurgia que realiza, ele continua limitado a um pagamento linear, trocando X minutos ou horas de seu dia por Y reais como pagamento. Entretanto, um negócio que possa produzir uma quantidade de dinheiro ilimitada indiferente do tempo disponível que o empreendedor aplica poderá então ser mais ou menos vantajoso, de acordo com os resultados finais.

Começamos assim a falar da via de alta velocidade do mundo dos negócios, o como ganhar mais dinheiro rapidamente, algo que será assunto para a segunda parte do livro (sim, encerramos aqui os nossos estudos em torno da primeira parte do livro).

E você, gostaria de comentar a respeito dessa conspiração que há em torno do dinheiro? Como você acha que a Conspiração age contra a nossa inteligência financeira?

[Este artigo faz parte de uma série de artigos que compõe o minicurso Estudando a Conspiração dos Ricos]

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